Moraes suspende “saidinha” de Delgatti
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes suspende “saidinha” de Delgatti

Decisão cita falhas na documentação apresentada pela unidade prisional

Delgatti está preso desde abril e atualmente cumpre pena na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, após transferência de Tremembé. Walter Delgatti. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de saída temporária do hacker Walter Delgatti Neto, preso em Tremembé, no interior de São Paulo. A decisão, tomada no dia 13 de março, impede que o detento deixe a unidade prisional no período em que havia sido previamente autorizado pela administração carcerária.

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Ao analisar o caso, o ministro seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e concluiu que não foram cumpridos os critérios exigidos para a concessão do benefício, conhecido como “saidinha”.

Delgatti havia sido incluído na lista de presos aptos à saída temporária entre os dias 17 e 23 de março, com previsão de monitoramento por tornozeleira eletrônica. A indicação partiu da própria unidade prisional, com base em avaliação de comportamento.

No entanto, Moraes considerou que a documentação apresentada foi insuficiente. Segundo o ministro, não houve comprovação da finalidade legal exigida pela Lei de Execução Penal, que condiciona a saída à participação do preso em atividades educacionais, como cursos profissionalizantes ou de ensino formal.

Na decisão, o magistrado destacou que o presídio informou apenas o período da possível liberação, sem detalhar qual atividade justificaria o afastamento temporário. Para ele, a ausência dessa comprovação impede o cumprimento de um dos requisitos objetivos previstos na legislação.

Condenação e histórico

Delgatti cumpre pena de 8 anos e 3 meses de prisão por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o próprio Moraes.

De acordo com a acusação, a ação teria ocorrido em 2023 com o objetivo de comprometer a credibilidade do Judiciário. O caso também envolveu a ex-deputada Carla Zambelli, apontada como articuladora do esquema.

Após esgotar recursos no STF, Delgatti passou a cumprir pena em regime semiaberto, o que permitiria, em tese, acesso a benefícios como a saída temporária — desde que atendidos todos os critérios legais.

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