PF vê propina milionária a deputada do MDB em esquema no INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF vê propina milionária a deputada do MDB em esquema no INSS

Maria Gorete Pereira é monitorada por ordem do STF; prisão foi negada apesar de indícios

Deputada do MDB é alvo da PF em nova operação contra fraudes no INSS
Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

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Por Redação

A Polícia Federal apontou a existência de um esquema de fraudes no INSS com possível pagamento de propinas a agentes políticos, incluindo a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-SP). As conclusões constam em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. As informações são do portal Metrópoles.

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A nova fase da investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, que determinou o uso de tornozeleira eletrônica pela parlamentar, mas rejeitou o pedido de prisão preventiva — mesmo com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na decisão, o ministro cita mensagens interceptadas que indicariam repasses expressivos. Em um dos trechos, um dos investigados afirma: “E Gorete ganhando 1,5 milhões (sic)”. Segundo Mendonça, há indícios de que a deputada “recebeu valores expressivos em sua conta bancária” e realizou movimentações ligadas ao esquema.

Outro documento analisado pela PF mostra uma planilha com divisão de recursos, na qual o nome da parlamentar aparece associado a cerca de R$ 780 mil. Para os investigadores, o grupo utilizava associações como fachada para operacionalizar os descontos irregulares.

As apurações também indicam tentativas de dar aparência de legalidade aos repasses. Em mensagens, um dos investigados sugere que os valores fossem transferidos por meio de um escritório de advocacia. “Acho mais legítimo, tem mais moral para mandar o dinheiro”, diz o conteúdo. Em resposta, a deputada teria concordado com a estratégia.

Além das transferências suspeitas, a Polícia Federal identificou contratos de aquisição de um imóvel avaliado em cerca de R$ 4 milhões e registros de viagens vinculadas aos investigados, o que reforça a linha de apuração sobre possível lavagem de dinheiro.

Apesar do conjunto de indícios, o ministro considerou que a prisão poderia ser substituída por medidas cautelares. “A prisão preventiva, neste momento, revela-se substituível por medidas menos gravosas”, escreveu.

Já outros alvos da operação tiveram destino diferente. Apontados como peças centrais do esquema, o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota tiveram a prisão preventiva autorizada, sob suspeita de coordenar pagamentos ilícitos e estruturar o funcionamento da fraude.

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