O Partido Liberal (PL) protocolou na tarde de hoje (10) um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suspeitas de desvios e irregularidades envolvendo o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e seus desdobramentos no Distrito Federal.
A decisão foi tomada após reunião do partido com unanimidade dos mandatários presentes. Participaram os deputados federais Bia Kicis, presidente do PL no DF, e Alberto Fraga; os distritais Joaquim Roriz Neto, Thiago Manzoni e Roosevelt Vilela; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher; além do deputado distrital João Cardoso, que ingressa na legenda.
Após o apresentação do pedido, o partido passou a articular novas assinaturas para alcançar o número regimental necessário para a instalação da CPI.
A iniciativa ocorre após informações divulgadas sobre a relação de fundos ligados à gestora Reag, investigada pela Polícia Federal, e investigação que aponta contrato envolvendo a venda de honorários de precatórios do escritório do governador Ibaneis Rocha a fundo associado à gestora, em maio de 2024. No mesmo período, o BRB realizava aquisições de carteiras do Banco Master.
Em coletiva realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a deputada federal Bia Kicis afirmou que a investigação se tornou necessária diante das suspeitas.
“Não dá mais para esperar. Quando aparecem indícios graves de desvio de recursos, temos obrigação de agir. CPI é instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável”, afirmou.
A deputada também afirmou que o partido busca esclarecer fatos relacionados ao projeto envolvendo o banco e a participação de diferentes autoridades.
“Tomando o ares de uma ação mafiosa com o matador, alguém ameaçando quebrar dente de jornalistas, coisas que não dá pra gente realmente assistir e ficar quieta.”
O deputado distrital Thiago Manzoni afirmou que o pedido de CPI busca esclarecer a situação financeira do BRB e as decisões adotadas pelo governo local.
“Nós precisamos que as autoridades envolvidas, quer a presidência do Banco de Brasília, a Secretaria de Economia, que essas autoridades venham explicar para a população em que pé estão as coisas, como é que está o BRB, se o BRB tem liquidez, se não tem liquidez.”
Segundo ele, a decisão partidária foi tomada por unanimidade após reunião convocada pela presidência do partido no Distrito Federal.
“O direcionamento partidário, que foi acolhido pela unanimidade dos presentes, os quatro deputados distritais, eu, o deputado Rousseff, o deputado Joaquim e o deputado João Cardoso, que hoje se filia ao PL, todos concordamos com a apresentação do requerimento de CPI.”
O deputado distrital João Cardoso afirmou que acompanhou o processo envolvendo o banco desde o início e apontou dúvidas sobre as operações e os recursos movimentados.
“Foi votado um projeto que autoriza não só a entrega em garantia de bens imóveis para tomada de empréstimo, na ordem de R$ 6,6 bilhões, mas também que autoriza o GDF a fazer aportes no banco.”
Cardoso também declarou que votou contra o projeto após identificar possíveis irregularidades.
“Também acredito que deve ser, sim, investigado e colocado ali, aquele que tiver culpa e possa responder à justiça.”
A oposição ao governo local já possui um pedido de CPI protocolado desde novembro do ano passado com sete assinaturas — uma a menos que o necessário para a comissão ser pautada.
Deputados da oposição informaram à reportagem que assinariam o novo pedido apresentado pelo PL caso o partido também assinasse o requerimento anterior.
Segundo fontes internas do PL, o partido considera que o pedido apresentado pela esquerda possui justificativas diferentes e está atrasado em relação às apurações recentes.
Bia Kicis afirmou que o partido não pretende entregar a condução da investigação à oposição.
“A gente não quer entregá-la nas mãos de pessoas que vão querer usar isso para tentar fazer ganho político em ano eleitoral.”
O rumo da CPI
Para que a CPI seja pautada, são necessárias ao menos oito assinaturas. Após esse número ser atingido, o presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), deve incluir o pedido na pauta das comissões. Caso o requerimento alcance 13 assinaturas já no protocolo, a comissão pode ser instaurada automaticamente.
Levantamento feito por este site aponta que, nos bastidores, ao menos 12 deputados distritais já demonstraram apoio à instalação da CPI. Parte deles, porém, aguarda uma possível coalizão entre partidos antes de formalizar a assinatura no requerimento, para evitar possíveis retaliações políticas.
A cautela ocorre após episódio recente envolvendo o governo local. Na semana passada, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), exonerou indicados de deputados distritais da base aliada que votaram contra o projeto de lei que autoriza o repasse de nove imóveis públicos ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB).
Roosevelt e o racha no PL
Apesar de assinarem o pedido junto ao partido, os deputados distritais Roosevelt Vilela e Joaquim Roriz Neto não participaram da coletiva.
Ambos votaram a favor do projeto do governo Ibaneis que permite ao GDF socorrer o BRB por meio do uso de terras públicas após o rombo relacionado ao Banco Master.
A assessoria de Joaquim Roriz Neto informou que o parlamentar já possuía agenda externa marcada e que foi avisado da coletiva apenas na manhã desta terça-feira.
Fontes próximas afirmaram que Roosevelt Vilela desistiu de participar do evento pouco antes do início. A assessoria do parlamentar ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem.
