O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), confirmou que será candidato ao Senado nas eleições de 2026 e negou rumores de que teria desistido da disputa. A declaração foi dada após a circulação de boatos relacionados ao escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, além de pedidos de impeachment apresentados por partidos da oposição.
“Não sei de onde partiu essa fake”, afirmou Ibaneis ao Correio Braziliense. Em seguida, disse estar confiante no resultado das urnas. “Serei candidato ao Senado e serei o senador mais votado da história do Distrito Federal”, declarou.
A eventual candidatura exige a desincompatibilização do cargo até abril. Com isso, a vice-governadora Celina Leão (PP) deverá assumir o Palácio do Buriti e disputar o governo do Distrito Federal.
A confirmação ocorre em meio à ofensiva política e jurídica contra o governador. Na segunda-feira (26), PT, Rede, PDT, PCdoB e PV protocolaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma notícia de fato pedindo a apuração de possíveis crimes comuns e atos de improbidade administrativa atribuídos a Ibaneis no contexto das negociações entre o BRB e o Banco Master.
Os partidos também solicitaram o afastamento imediato do governador, sob o argumento de preservar a independência das investigações. O STJ é a instância competente para apurar condutas de governadores e deve encaminhar o pedido ao Ministério Público Federal (MPF) para análise.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou que há indícios de envolvimento direto do governador. “A gente precisa afastá-lo. Precisamos de transparência, precisamos que a investigação transcorra sem nenhuma influência política, nem de forças e nem de poderes”, disse.
Além da representação no STJ, os partidos informaram que pretendem apresentar novo pedido de impeachment após o fim do recesso parlamentar, em fevereiro. Será o terceiro pedido desse tipo contra Ibaneis. Na sexta-feira (23), PSB, Cidadania e PSOL já haviam apresentado dois pedidos semelhantes por supostos crimes de responsabilidade.
Em depoimento à Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que se encontrou com Ibaneis Rocha para tratar da venda da instituição ao BRB. Segundo ele, os encontros ocorreram entre 2024 e 2025, em residências em Brasília.
À CNN, o governador chegou a confirmar os encontros, mas negou ter tratado da operação. “Estive com ele poucas vezes e nunca tratei sobre o banco. Toda operação de compra foi tratada diretamente com o Paulo Henrique”, afirmou.
Representações apresentadas por PSB e Cidadania sustentam que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB teria como objetivo ocultar passivos relevantes da instituição privada dentro de uma estrutura pública. Segundo os autores, ao politizar a rejeição da operação pelo Banco Central e não determinar apuração interna, o governador teria incorrido em omissão dolosa e conivência com atos de gestão fraudulenta da alta direção do BRB.
