Durante o programa Alive, exibido nesta terça-feira (10) no YouTube, o jornalista Cláudio Dantas comentou o cenário envolvendo as investigações relacionadas ao Banco Master e mencionou o uso de colete à prova de balas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Ao abordar o tema, Dantas afirmou que o episódio representa uma situação incomum no país.
“Temos um ministro do Supremo usando colete à prova de balas”, disse.
Segundo o apresentador, o caso ocorre em meio a investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis conexões com estruturas criminosas. Ele citou relatos de que o empresário teria mantido relação com um indivíduo descrito como “sicário”.
Dantas comparou o momento atual a investigações históricas de combate ao crime organizado, mencionando a operação italiana conhecida como Mãos Limpas e episódios da Operação Lava Jato no Brasil. Ele afirmou que, no país, situações envolvendo segurança de ministros do STF não eram comuns.
O jornalista também mencionou mensagens atribuídas a Vorcaro nas quais o empresário teria afirmado que o sistema bancário funcionaria como uma “máfia”.
De acordo com Dantas, o caso trouxe à tona elementos que, segundo ele, não haviam aparecido nem mesmo nas investigações da Lava Jato. Ele afirmou que o episódio ocorre em um cenário político e institucional que envolve autoridades do Judiciário.
Durante o programa, o advogado André Marsiglia também comentou o tema. Ele afirmou que outras figuras públicas passaram a adotar medidas de segurança semelhantes.
Marsiglia citou o senador Flávio Bolsonaro, que teria usado colete à prova de balas durante manifestação realizada na Avenida Paulista.
Segundo ele, o contexto envolve ameaças a autoridades e jornalistas que acompanham o caso.
Marsiglia afirmou que o episódio pode indicar conexões mais amplas envolvendo o Banco Master e disse considerar possível que as investigações revelem outras relações.
“É muito difícil pensar que essas conexões todas do Banco Master ou do Vorcaro se limitem ao Banco Master ou a CDB ou a títulos podres”, afirmou.
Ele acrescentou que o caso pode representar apenas parte de um cenário mais amplo. Para o advogado, a utilização de medidas de segurança por autoridades seria compreensível diante do contexto das investigações.
Marsiglia também afirmou que o episódio apresenta uma dificuldade institucional inédita caso envolva membros do Supremo Tribunal Federal.
“Nunca houve na história desse país um escândalo em que o STF fosse o centro do escândalo, fosse o protagonista”, disse.
Segundo ele, eventuais investigações envolvendo ministros da Corte poderiam gerar um cenário de julgamento entre integrantes do próprio tribunal.
Durante a conversa, Dantas afirmou que o país teria um debate institucional pendente envolvendo o Judiciário desde os desdobramentos da Lava Jato. Segundo ele, as investigações da operação chegaram a alcançar setores do sistema financeiro e do próprio Judiciário, mas não avançaram em determinadas frentes.
O jornalista afirmou que, na época, a reação de instituições teria interrompido o avanço das apurações. Segundo ele, o atual caso envolvendo o Banco Master voltou a trazer à tona personagens citados em investigações anteriores.
“Certas coisas são inexoráveis. O Brasil já tinha um encontro marcado com o Supremo, e isso desde a Lava Jato”, declarou.
O debate ocorreu durante análise do cenário político e institucional envolvendo as investigações conduzidas a partir de informações obtidas no celular do ex-controlador do Banco Master.
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