Vorcaro apelou a diretor do BC por aval ao Banco Máxima
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Vorcaro apelou a diretor do BC por aval ao Banco Máxima

Mensagem encontrada pela PF revela pedido de ajuda para aprovação do negócio que originou o Banco Master

Master foi primeiro banco a aderir à guerra de Lula contra o dólar
Foto: Divulgação

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Por Redação

Um e-mail encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro mostra que o então empresário pediu ajuda a um diretor do Banco Central (BC) para aprovar a compra do Banco Máxima, instituição que depois seria rebatizada como Banco Master.

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A mensagem foi enviada em 9 de fevereiro de 2019 a Paulo Sérgio de Souza, que à época ocupava o cargo de diretor de fiscalização do BC, segundo reportagem do Valor. Souza foi alvo de busca e apreensão na última semana durante nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de que ele teria prestado consultoria informal a Vorcaro e recebido dinheiro enquanto ainda exercia funções no órgão regulador.

No e-mail, ao qual o Valor teve acesso, Vorcaro apresenta argumentos para que o Banco Central aprovasse a operação, que já se arrastava havia cerca de um ano e meio. A mensagem começa em tom formal, mas termina com um pedido direto.

“Precisamos resolver isso, precisamos de sua ajuda para que o Sidnei aprove agora, antes da sua saída”, escreveu.

A referência é a Sidnei Corrêa Marques, então diretor de organização do sistema financeiro e resolução do Banco Central, responsável por analisar mudanças de controle em instituições financeiras. Marques havia indicado que deixaria o cargo no fim de fevereiro de 2019, quando seria substituído por João Manoel Pinho de Mello.

Apesar do pedido, a compra do Banco Máxima voltou a ser barrada pelo Banco Central poucos dias depois. Desde setembro de 2017, Vorcaro havia apresentado três declarações de propósito para adquirir a instituição, sem obter aprovação do regulador. Em cada tentativa, o órgão fazia novas exigências, procedimento comum em processos de aquisição de instituições financeiras.

A última solicitação havia sido apresentada em janeiro de 2019, e Vorcaro aguardava resposta quando enviou o e-mail.

Na mensagem, ele afirmou estar “disposto a acatar todos os itens que foram mencionados ao Isaac”, referência a Isaac Sidney, atual presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Sidney havia sido diretor do BC e deixou o cargo em abril de 2018. Após cumprir quarentena obrigatória de seis meses, passou a atuar no escritório Warde Advogados, que prestava serviços ao Banco Máxima.

Sidney assessorou o banco durante o processo de transferência de controle. Em maio de 2019, assumiu a presidência da Febraban. A compra do Banco Máxima por Vorcaro seria aprovada meses depois, em novembro daquele ano.

Ao Valor, Sidney afirmou que, ao tomar conhecimento das exigências feitas pelo Banco Central, repassou as informações aos dirigentes da instituição com orientação para que fossem atendidas.

“Quando tomei conhecimento de quais eram as exigências do Banco Central e o racional regulatório de cada uma delas, prontamente o Escritório transmitiu as informações aos dirigentes do Banco Máxima, inclusive com a recomendação jurídica de acatamento de todos os itens, pois se antevia o indeferimento do pleito, o que, aliás, veio a ocorrer”.

No e-mail, Vorcaro classificou como “absolutamente injustos” os pontos levantados pelo Banco Central para negar a operação. Ele mencionou medidas adotadas pelo banco, como mudanças no produto de crédito consignado Credcesta, operações de seguros, cessão de crédito e a estruturação de certificados de recebíveis imobiliários como formas de gerar recursos para a instituição.

O empresário também afirmou que investidores estariam dispostos a aportar recursos após a aprovação da compra. Segundo a mensagem, um investidor identificado como Pedro poderia aportar R$ 20 milhões, Humberto até R$ 50 milhões e Augusto já teria se comprometido com outros R$ 20 milhões.

O nome Augusto possivelmente se refere a Augusto Lima, que posteriormente se tornou sócio de Vorcaro no Banco Master e depois assumiu o controle do Banco Pleno, atualmente em liquidação extrajudicial.

No trecho final da mensagem, Vorcaro voltou a pressionar pela aprovação da operação.

“Paulo, precisamos concluir esse assunto. Estou ha dois anos sendo rechaçado, humilhado. Eu fiz todas as mudanças e concessões. Ate hoje não consegui iniciar o trabalho efetivamente por conta do imbróglio do capital. Precisamos resolver isso, precisamos de sua ajuda para que o Sidnei aprove agora, antes da sua saída”.

A autorização para a compra do Banco Máxima foi concedida meses depois. O processo foi aprovado pela diretoria colegiada do Banco Central em 14 de outubro de 2019 e publicado no Diário Oficial da União dez dias depois.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, a relação entre Vorcaro e Paulo Sérgio de Souza teria se intensificado nos anos seguintes. O ex-diretor de fiscalização e posteriormente chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central teria atuado como consultor do empresário em temas regulatórios. O chefe do departamento, Belline Santana, também é citado na apuração.

O Valor informou que não conseguiu contato com Paulo Sérgio de Souza. A defesa de Vorcaro não comentou o caso.

Em nota, Isaac Sidney afirmou que os fatos investigados envolvendo a gestão do Banco Master ocorreram posteriormente ao período em que prestou assessoria jurídica à instituição.

“Todos os atos ilícitos imputados pelo Banco Central ao controlador ou à gestão do Banco Master são posteriores e não guardam qualquer nexo temporal, material ou causal com o assessoramento jurídico prestado por mim. Mostra-se descabida qualquer tentativa de estabelecer alguma conexão das práticas de gestão do banco liquidado com o meu trabalho técnico-jurídico de assessoramento realizado no início do ano de 2019”.

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