Urgente: Toffoli devolve à primeira instância inquérito do Caso Tanure
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Urgente: Toffoli devolve à primeira instância inquérito do Caso Tanure

Ministro do STF conclui que não há conexão com a Operação Compliance Zero

O ministro acrescentou que os autos poderão voltar ao STF apenas se, no curso das investigações, surgirem indícios envolvendo autoridade com foro especial. Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou a devolução à Justiça Federal de São Paulo do inquérito que investiga suposto uso de informação privilegiada e manipulação de mercado envolvendo o empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure e Gilberto Bernardo Benevides, em operações relacionadas à Gafisa (GFSA3).

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Ao analisar o caso, Toffoli concluiu que não há elementos que justifiquem a permanência do processo no STF, afastando a alegada conexão com a Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, cujo a relatoria está sob sua responsabilidade.

A decisão, obtida por este site, foi proferida em 27 de janeiro de 2026, no âmbito da Petição nº 15.277, e mantém o processo sob nível máximo de sigilo (nível 4 – sigilo intenso).

“Não verifico referência, nem mesmo indireta, à investigação supostamente dirigida contra pessoas com foro por prerrogativa de função, não havendo, ademais, conexão entre o feito remetido ao Supremo Tribunal Federal e aqueles em curso nesta Suprema Corte”, afirmou o ministro.

Com isso, os autos retornaram à 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, onde o processo tramita sob sigilo intenso.

O ministro acrescentou que os autos poderão voltar ao STF apenas se, no curso das investigações, surgirem indícios envolvendo autoridade com foro especial.

“Determino o retorno imediato dos autos à origem, sem prejuízo de nova remessa do feito à Suprema Corte, caso seja revelado no curso das investigações supervenientes qualquer indício de participação de pessoa com foro por prerrogativa de função”, decidiu.

Justiça recebe denúncia

Após a devolução do caso pelo STF, a juíza federal Maria Isabel do Prado recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Tanure e Benevides. A magistrada concluiu que há indícios suficientes de autoria e materialidade e determinou a continuidade do feito como ação penal, afastando o risco de prescrição.

“A acusação está baseada em provas da existência de fato que, em tese, caracteriza infração penal e indícios suficientes de autoria delitiva”, registrou a juíza ao receber a denúncia.

Os investigados respondem, em tese, por crimes contra o mercado de capitais, previstos na Lei nº 6.385/1976, em fatos que teriam ocorrido entre 2019 e 2020.

Acusação envolve operação da Gafisa e compra da Upcon

Segundo o MPF, as investigações apontam que Tanure e Benevides teriam utilizado informações relevantes ainda não divulgadas ao mercado durante a negociação que resultou na aquisição da incorporadora Upcon pela Gafisa, concluída em 2020.

De acordo com a denúncia, a operação teria sido estruturada de forma a inflar artificialmente o valor da transação, com impacto direto no preço das ações da Gafisa e benefício econômico aos envolvidos. Benevides era controlador da Upcon, enquanto Tanure atuava como acionista relevante e integrante da administração da Gafisa à época dos fatos.

O caso teve origem em representação apresentada pela gestora Esh Capital, acionista minoritária da construtora, e passou a ser investigado pela Polícia Federal a partir de 2020.

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