O mais recente laudo médico de Adélio Bispo, autor da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, aponta agravamento significativo do quadro psiquiátrico, com aumento de alucinações e maior comprometimento da realidade. O documento conclui pelo diagnóstico de esquizofrenia paranoide.
Segundo a perícia, Adélio apresenta “risco contínuo” de periculosidade, não pode conviver sem medidas de segurança e não tem perspectiva de melhora em ambiente prisional. A recomendação é de internação em hospital psiquiátrico de custódia, sem qualquer indicação de concessão de liberdade.
O laudo foi encaminhado, em caráter sigiloso, à 5ª Vara Criminal de Campo Grande. O diagnóstico difere do apontado em 2019, quando Adélio foi considerado inimputável e classificado com transtorno delirante permanente paranoide. Os peritos indicam deterioração do quadro ao longo dos anos.
De acordo com o documento, há comprometimento grave da realidade, com alucinações frequentes e prejuízo funcional relevante. O detento não reconhece que está doente nem compreende a necessidade de tratamento. Conforme registros já anexados ao processo, ele recusa atendimento médico e afirma que “não é doido”.
“A análise clínica longitudinal do Sr. Adélio Bispo de Oliveira demonstra um quadro de transtorno mental crônico, com características compatíveis com transtorno esquizofrênico, manifestado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo, ausência de insight e recusa terapêutica decorrente da própria psicose. Trata-se de condição clínica que, pela natureza e gravidade, exige cuidado especializado, contínuo e estruturado, conforme literatura psiquiátrica consolidada”, diz o laudo.
A síntese pericial aponta quadros psicóticos persistentes, sem remissão efetiva, recusa sistemática de tratamento, delírios de natureza religiosa, política e persecutória, além de isolamento social e baixa integração institucional. O ambiente prisional federal é descrito como fator agravante do quadro.
A perícia foi solicitada pela Defensoria Pública da União (DPU) para avaliar se Adélio teria condições de deixar o sistema prisional federal, onde está desde 2018. O exame foi realizado em novembro do ano passado.
Os peritos concluem que a permanência em presídio federal não é indicada e sugerem encaminhamento a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG), cidade natal de Adélio. Apesar disso, ele deve permanecer sob custódia até, pelo menos, 2038, quando completará 60 anos, conforme decisão judicial.
Segundo os especialistas, todas as avaliações do processo indicam que o atentado contra Jair Bolsonaro ocorreu durante um “surto psicótico, com evidente incapacidade de autocrítica”, com presença de delírios persecutórios e perda do juízo de realidade.
