Em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master e o rombo no Banco de Brasília (BRB), cinco partidos de oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), apresentaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta segunda-feira (26), uma notícia de fato pedindo a apuração de possíveis crimes comuns e atos de improbidade administrativa atribuídos ao gestor.
PT, Rede, PDT, PCdoB e PV solicitam a instauração de inquérito e eventual responsabilização, caso os fatos sejam confirmados. Os partidos também pedem o afastamento imediato do governador, sob o argumento de preservar a independência das investigações que envolvem o BRB.
O STJ é a instância responsável por apurar condutas de governadores. O pedido deverá ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para análise.
Segundo a senadora Leila Barros (PDT-DF), há indícios de envolvimento direto do governador no caso. “A gente precisa afastá-lo. Precisamos de transparência, precisamos que a investigação transcorra sem nenhuma influência política, nem de forças e nem de poderes”, afirmou.
Além da representação no STJ, os partidos informaram que pretendem protocolar um novo pedido de impeachment contra Ibaneis após o fim do recesso parlamentar, em fevereiro. Será o terceiro pedido dessa natureza contra o governador.
Na sexta-feira (23), PSB, Cidadania e PSOL já haviam apresentado dois pedidos de impeachment contra Ibaneis por supostos crimes de responsabilidade relacionados às negociações entre o BRB e o Banco Master.
Em depoimento à Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou ter se encontrado com Ibaneis Rocha para tratar da venda do banco ao BRB. Segundo o banqueiro, os encontros ocorreram entre 2024 e 2025, em residências em Brasília.
À CNN, o governador confirmou os encontros, mas negou ter discutido a operação.
“Estive com ele poucas vezes e nunca tratei sobre o banco. Toda operação de compra foi tratada diretamente com o Paulo Henrique”, afirmou.
O pedido apresentado por PSB e Cidadania sustenta que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB teria como objetivo ocultar passivos relevantes da instituição privada dentro de uma estrutura pública.
Ainda segundo a representação, ao atribuir a rejeição da operação pelo Banco Central a supostas interferências políticas, sem determinar apuração interna das irregularidades, o governador teria incorrido em omissão dolosa e conivência com atos de gestão fraudulenta da alta cúpula do BRB.
