Marco fiscal de Haddad piora projeções da dívida pública
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

Marco fiscal de Haddad piora projeções da dívida pública

Marco fiscal de Haddad piora projeções da dívida pública

Haddad afirma que oposição está certa ao chamá-lo de “taxad” e cita medidas de aumento de tributos adotadas pela Fazenda

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Por Redação

Agentes financeiros estão mais pessimistas em relação à trajetória da dívida pública do Brasil na comparação com o cenário de 2022. O marco fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), substituiu o teto de gastos de 2016, que havia perdido credibilidade após sucessivas flexibilizações. A nova regra entrou em vigor em agosto de 2023.

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A proposta do governo indicou mudança no regime fiscal, mas passou a enfrentar questionamentos após a exclusão de despesas da meta e a adoção recorrente de gastos fora das regras do arcabouço. Em 12 de janeiro, o Ministério da Fazenda divulgou estimativas para a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) nos próximos anos.

Segundo relatório do Tesouro Nacional, a relação dívida-PIB pode atingir 94,8% em 2034 e 95,4% em 2035, caso não haja novas medidas de arrecadação e se mantenha a prática de gastos fora do arcabouço. Para o fim do atual mandato presidencial, em 2026, a equipe econômica projeta dívida bruta de 88,2% do PIB.

As projeções do mercado são mais negativas. Em dezembro de 2022, antes da adoção do marco fiscal, a mediana indicava dívida bruta de 90,2% do PIB em 2029. Após mais de dois anos sob o novo regime, a estimativa subiu para 91,8% no mesmo período. Para 2034, economistas projetam dívida de 96,74% do PIB.

Em setembro de 2023, um mês após a entrada em vigor do arcabouço fiscal, agentes financeiros estimavam dívida de 81,8% do PIB ao final do terceiro mandato de Lula. A projeção mais recente indica 83,95% em 2026.

Os dados mostram deterioração das expectativas mesmo após a mudança do regime fiscal. Em valores nominais, a DBGG alcançou pela primeira vez R$ 10 trilhões. Em proporção do PIB, a dívida bruta passou de 71,7% ao fim do governo Jair Bolsonaro (PL) para 79,0% em novembro de 2025, alta de 7,3 pontos percentuais.

No mesmo período, o deficit nominal avançou de 4,5% para 7,3% do PIB. Em 12 meses até novembro, o deficit nominal anualizado chegou a R$ 1,027 trilhão. Considerando apenas o governo central, o rombo somou R$ 925 bilhões.

O Banco Central divulgará, em 30 de janeiro de 2026, os dados consolidados do setor público referentes a dezembro de 2025. A trajetória da dívida tem sido apontada como fator de pressão sobre os juros, limitando espaço para cortes mais expressivos da taxa básica.

Ao deixar o cargo, Haddad mantém como principal legado a aprovação do arcabouço fiscal, mas sob questionamentos quanto à capacidade das regras atuais de conter o crescimento estrutural das despesas em um ambiente político marcado por pressões eleitorais.

A arrecadação recorde obtida com aumento de impostos não é suficiente para compensar a expansão dos gastos. As projeções indicam resultado negativo das contas públicas em 2025 e 2026.

As despesas totais do governo passaram de 18% do PIB no início de 2023 para 19,5% ao fim daquele ano. Em 2024, recuaram para 18,7%, ainda acima do patamar registrado no governo anterior.

A projeção é que, entre 2028 e 2029, emendas impositivas e de bancada possam consumir integralmente os recursos não obrigatórios da União, incluindo investimentos.

O governo central registrou deficit primário de R$ 53,5 bilhões no acumulado de 12 meses até novembro. Em janeiro de 2023, quando Haddad assumiu o cargo, havia superavit de R$ 54,9 bilhões.

Haddad atribui parte do desequilíbrio fiscal à exclusão, no Orçamento de 2023, de despesas como Bolsa Família, precatórios, Fundeb e dívidas com estados.

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