Para Dantas, código de conduta proposto por Fachin é apenas uma “ação de relações públicas”
No ALive desta quinta-feira (22), o apresentador Claudio Dantas e a cientista política Júlia Lucy criticaram a falta de posicionamento de Edson Fachin, presidente do STF, e de outros ministros da Corte sobre a condução do caso Master por Dias Toffoli e as ligações dele com o resort Tayayá.
Para Dantas, o “silêncio” dos ministros do STF em relação a Toffoli “diz muito” e “não responde aos questionamentos” da sociedade.
“A gente precisa ouvir, a gente precisa saber como que isso está sendo gerido e entendido e compreendido dentro do próprio Supremo”, afirmou o apresentador do ALive. “Nós estamos diante de questões que são muito graves, tem a ver com a moralidade de um ministro do STF”, disse o jornalista.
“Nós estamos falando de acusações graves. A reportagem ontem do Metrópoles deixou claro, colocou lá bem claro, inclusive com depoimento dos funcionários do Tayayá, dizendo que, segundo esses funcionários, o Toffoli é o dono do Tayayá”.
Dantas também mencionou o caso de Alexandre de Moraes, cujo escritório da esposa teve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, investigado pela PFpor fraudes, e cobrou um posicionamento de Fachin:
“O presidente do Poder Judiciário, o presidente da Suprema Corte não pode ficar omisso, inerte e silencioso diante de uma crise como essa, uma crise que afeta dois integrantes da Suprema Corte brasileira”.
“Acusações graves que colocam em questão a moralidade, a independência desses ministros”, ressaltou Dantas. “Por que não vêm a público negar? Que neguem com veemência, que emitam uma nota, que digam que não são, que não fizeram, que não tem nada a ver”.
“Agora quem cala consente. E a gente está realmente diante de questões que são gravíssimas e que estão deteriorando a imagem já combalhida do STF”, prosseguiu o jornalista. “Se não houver um posicionamento claro, Fachin, você será o comandante desse Titanic”.
O apresentador também criticou o código de ética proposto por Fachin aos membros do STF: “Como se ministros da Suprema Corte precisassem de um manual. Moralidade pública deve ser a regra, aliás ela é a regra, constitucional inclusive”.
De acordo com Dantas, o código proposto pelo atual presidente da Corte é apenas uma “ação de relações públicas”. “Para poder ficar bonitinho na fita, para ficar com a imagem do STF: ‘Estamos fazendo alguma coisa aqui’. Igual aquela plaquinha: ‘Estamos em obra, desculpem o transtorno’”, completou o apresentador.
Já Lucy questionou a postura da Corte diante das denúncias. “O Supremo, sobretudo o ministro Fachin, que é o presidente, vai simplesmente passar o pano para o Dias Toffoli?”.
“Porque uma coisa que nos chama a atenção é o fato de que até agora ninguém, nenhum dos ministros veio publicamente se colocar ao lado do ministro Dias Toffoli. Você reparou isso? Eu estou perguntando isso desde ontem”, continuou a cientista política.
“Diferente do caso do ministro Alexandre de Moraes no 8 de Janeiro, que houve diversas declarações dando apoio à atuação do colega, ninguém está defendendo o caso”, completou Lucy.
