Parlamento Europeu trava acordo UE-Mercosul ao acionar tribunal
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
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Parlamento Europeu trava acordo UE-Mercosul ao acionar tribunal

Deputados pedem que a Justiça da União Europeia avalie a base legal do tratado comercial

Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é assinado após 25 anos de negociação — Foto: Foto por LUIS ROBAYO / AFP
Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é assinado após 25 anos de negociação — Foto: Foto por LUIS ROBAYO / AFP

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Por Redação

O Parlamento Europeu aprovou hoje (21) o envio do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). A decisão paralisa o avanço do tratado e deve atrasar sua ratificação por meses.

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O pedido partiu de um grupo de eurodeputados que solicitou ao tribunal a análise das bases jurídicas do acordo, assinado no último sábado (17), no Paraguai, após mais de 20 anos de negociações. O TJUE informou que pareceres desse tipo costumam levar entre 18 e 24 meses.

A proposta foi aprovada por margem estreita: 334 votos favoráveis, 324 contrários e 11 abstenções. A votação foi acompanhada por manifestações no plenário. Na véspera, agricultores europeus protestaram em Estrasburgo contra o acordo.

O comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou antes da votação que não havia decisão sobre eventual aplicação provisória do tratado. Segundo ele, a prioridade era buscar apoio político no Parlamento.

Questionamentos jurídicos

A ação apresentada por mais de 140 eurodeputados, em sua maioria de partidos de esquerda e verdes, questiona a estrutura do acordo. O tratado foi dividido em duas partes: um acordo de parceria política, que exige ratificação dos parlamentos nacionais, e um componente comercial, que dependeria apenas do aval do Parlamento Europeu.

Os críticos também apontam possíveis mecanismos de compensação e indenização a países do Mercosul e alegam que cláusulas do texto podem limitar políticas ambientais, de bem-estar animal e de proteção ao consumidor na UE.

A análise do TJUE pode atrasar inclusive a aplicação provisória do instrumento comercial do acordo e colocar em dúvida o Acordo de Parceria UE-Mercosul como um todo. Se o parecer for negativo, o tratado não poderá entrar em vigor sem alterações.

Reação da Comissão Europeia

A Comissão Europeia lamentou a decisão do Parlamento. O porta-voz Olof Gill afirmou que, na avaliação do Executivo comunitário, os questionamentos já haviam sido amplamente tratados durante as negociações e em acordos anteriores, como o firmado com o Chile.

A resistência ao acordo segue concentrada no setor agrícola, liderado pela França, principal produtora do bloco. Nesta quinta-feira (22), o Parlamento Europeu ainda deve votar uma moção de censura contra a Comissão Europeia relacionada ao tratado. Para ser aprovada, a iniciativa precisará do apoio de dois terços dos votos expressos.

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