Parlamento Europeu suspende acordo comercial com EUA após ameaças de Trump
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
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Parlamento Europeu suspende acordo comercial com EUA após ameaças de Trump

Decisão é reação às tarifas anunciadas pelo presidente americano sobre países que se opuserem à compra da Groenlândia

O republicano informou que as taxas aumentariam para 25% em 1º de junho e permaneceriam até que os Estados Unidos conseguissem concluir a compra da Groenlândia. Foto: Official White House Photo by Joyce N. Boghosian

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Por Redação

O Parlamento Europeu anunciou, nesta terça-feira (20), que vai suspender o processo de ratificação do acordo comercial firmado com os Estados Unidos em julho de 2025. A decisão ocorre em resposta às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump (Republicano), de impor tarifas a países europeus que se opusessem ao plano de comprar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.

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Segundo Iratxe García Pérez, líder do grupo S&D (Socialistas e Democratas), os principais grupos políticos do Parlamento chegaram a um consenso para congelar a votação formal do tratado, prevista para quarta-feira (21). Pérez classificou as tarifas anunciadas como “pressão imperialista” e ressaltando a necessidade de a União Europeia buscar parcerias comerciais alternativas, como com o Mercosul, em defesa do multilateralismo.

O acordo comercial entre UE e EUA, firmado na Escócia em julho de 2025, previa a redução de tarifas americanas sobre produtos europeus de 30% para 15%, enquanto a União Europeia retiraria parte de suas taxas de importação de produtos americanos.

O tratado só entraria em vigor entre março e abril de 2026, após aprovação formal do Parlamento e dos governos europeus.

O anúncio de Trump sobre a imposição de tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026 a produtos de oito países europeus — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia — gerou preocupação entre os aliados.

O republicano informou que as taxas aumentariam para 25% em 1º de junho e permaneceriam até que os Estados Unidos conseguissem concluir a compra da Groenlândia.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia como “chantagem” e destacou que a União Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para responder a Washington.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reforçou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que qualquer tentativa de pressão comercial seria um erro estratégico.

O Partido Popular Europeu (PPE), maior bancada do Parlamento, também confirmou que o clima político atual inviabiliza a aprovação do acordo.

Além das medidas diplomáticas, países europeus anunciaram reforço da segurança na Groenlândia, com o envio de contingentes militares em apoio ao governo dinamarquês.

O território tem importância estratégica para rotas comerciais e recursos minerais críticos, além de ser considerado central para projetos de defesa, como o “Domo de Ouro” proposto pelos EUA.

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