Dino dá 10 dias para governo refazer cronograma de auditorias em emendas da saúde
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Dino dá 10 dias para governo refazer cronograma de auditorias em emendas da saúde

Flávio Dino determina revisão e suspensão de penduricalhos ilegais no serviço público que permitem supersalários acima do teto constitucional.
Crédito para a foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou nesta sexta-feira (16) que o governo federal apresente, em até dez dias úteis, um novo cronograma para a conclusão das auditorias sobre emendas parlamentares destinadas à área da saúde. A decisão foi proferida no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Dino considerou “demasiado largo” o calendário apresentado pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que previa a finalização dos trabalhos apenas em 2027. Para o ministro, a extensão do prazo compromete a efetividade do controle sobre recursos públicos e não se compatibiliza com a exigência constitucional de transparência.

“É imprescindível a finalização das auditorias em prazos muito menores e jamais ultrapassando o atual mandato do Poder Executivo Federal”, escreveu o relator no despacho.

Conforme dados encaminhados ao STF, até 13 de junho de 2025, das 1.282 contas analisadas pelo Denasus, 698 permaneciam pendentes de regularização, relacionadas a 723 propostas de emendas parlamentares. O valor total envolvido ultrapassa R$ 335,5 milhões, sendo que cerca de R$ 66,5 milhões ainda permaneciam disponíveis em conta.

Segundo Dino, o cenário se agrava diante do crescimento acelerado das emendas parlamentares no orçamento da saúde. O montante passou de R$ 5,7 bilhões em 2016 para R$ 22,9 bilhões em 2023, com estimativa de alcançar R$ 26,3 bilhões em 2025. Para o ministro, a ampliação desse mecanismo alterou a dinâmica de execução das políticas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Com essa fragmentação de ‘ordenadores de despesas’, é evidente que as necessidades de auditoria se ampliam, pois ocorre uma maior dispersão de objetos, espaços territoriais e ações realizadas”, afirmou.

No despacho, Dino também destacou que a capacidade operacional do Denasus não acompanhou o aumento das demandas de fiscalização. Informações oficiais mostram que o órgão perdeu cerca de 50% de sua força de trabalho entre 2001 e 2025, o que impacta diretamente a realização das auditorias.

“As reduções de pessoal verificadas nas últimas duas décadas custam muito mais caro ao país, em face da óbvia degradação da quantidade e qualidade das auditorias quanto à aplicação de centenas de bilhões de reais de dinheiro público”, registrou.

Diante desse quadro, o ministro determinou que o Ministério da Saúde apresente, em até 30 dias úteis, um plano emergencial para recompor a capacidade de trabalho do Denasus. Também fixou prazo de cinco dias para que a Casa Civil informe quais providências adotou em relação a uma decisão anterior que tratava da padronização das regras ministeriais sobre a destinação de emendas parlamentares.

Em outro ponto, Dino voltou a cobrar da Advocacia-Geral da União (AGU) informações completas sobre a utilização de emendas em projetos vinculados ao Programa Emergencial da Retomada do Setor de Eventos (Perse). Segundo o ministro, os dados encaminhados anteriormente foram insuficientes.

Ao concluir, o relator reforçou que o avanço das emendas parlamentares exige controles mais rigorosos.

“Sem controles e auditorias jamais haverá o adequado cumprimento das determinações da Constituição quanto à transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares”, afirmou.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade