Mesmo ciente de fraudes envolvendo o Banco Master, o Banco Central autorizou a venda do controle do Banco Voiter — atual Banco Pleno — ao empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima. A operação foi aprovada em julho de 2025, meses antes da liquidação extrajudicial do Master.
O Banco Pleno, que integrava o conglomerado prudencial do Master, permaneceu fora da liquidação decretada em novembro de 2025. A autorização do BC ocorreu mesmo após a autoridade monetária reconhecer a existência de créditos inexistentes negociados pelo Master com o Banco de Brasília.
Augusto Lima foi preso e solto em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, junto com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A investigação apura a venda de carteiras de crédito de cerca de R$ 11,5 bilhões consideradas fraudulentas.
Em informações enviadas ao Tribunal de Contas da União, o Banco Central afirmou que já no primeiro semestre de 2025 identificou a cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Master de empresa terceira, com indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O BC informou que comunicou os fatos ao Ministério Público Federal em julho daquele ano.
Apesar disso, a autoridade monetária aprovou, em 24 de julho de 2025, a transferência do controle do Banco Voiter para Augusto Lima. Segundo o BC, entre abril e novembro de 2025, o Master buscou injeção de recursos por meio da venda de ativos pessoais, diante da incapacidade de cumprir recolhimentos compulsórios.
Na prática, o Banco Central autorizou a transferência de ativos dentro do conglomerado como tentativa de dar sustentabilidade financeira ao Master. Com isso, o Banco Pleno foi preservado de intervenção ou liquidação, enquanto parte dos recursos e operações foi redirecionada para a nova estrutura controlada por Augusto Lima.
Quem é Augusto Lima
Augusto Ferreira Lima construiu carreira no setor de crédito consignado e ganhou projeção ao se tornar sócio e CEO do Banco Master. Natural da Bahia, iniciou a atuação no mercado financeiro a partir de 2018, com a privatização da Empresa Baiana de Alimentos durante o governo estadual de Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil.
A partir da estrutura da antiga Ebal, Lima criou o Credcesta, produto de crédito consignado voltado a servidores públicos, com convênios firmados com o governo da Bahia. O modelo ganhou escala e foi incorporado ao Banco Master após sua entrada na sociedade com Vorcaro, em 2019.
Lima deixou o Master em maio de 2024. Em junho de 2025, adquiriu o Banco Voiter, que passou a se chamar Banco Pleno, após autorização do Banco Central. Ele realizou aportes de cerca de R$ 160 milhões e concentrou na nova instituição as operações de crédito consignado, incluindo o Credcesta.
Em novembro de 2025, Augusto Lima foi preso na Operação Compliance Zero. Na residência do empresário, a PF apreendeu cerca de R$ 1,6 milhão em espécie e bens de alto valor. Ele foi posteriormente solto, e as investigações seguem em andamento.
Apesar da prisão e das apurações, o Banco Pleno segue operando. A separação societária anterior à liquidação do Master e a autorização formal do Banco Central explicam por que a instituição não foi atingida pelas medidas aplicadas ao conglomerado de Daniel Vorcaro.
