A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (15), mais uma fase da Operação Coffee Break, que investiga suspeitas de fraudes em processos de licitação envolvendo a compra de materiais educacionais por prefeituras paulistas. A ação é considerada um desdobramento das apurações iniciadas no ano passado.
Nesta etapa, agentes federais cumpriram três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo. Durante as diligências, foram apreendidas armas e munições, além do cumprimento de medidas judiciais de constrição patrimonial, com bloqueio de bens dos investigados.
Segundo a Polícia Federal, os alvos poderão responder, conforme o grau de participação, por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.
A nova ofensiva dá continuidade à operação deflagrada em novembro, quando a PF realizou ações simultâneas em São Paulo, no Paraná e no Distrito Federal. Na ocasião, foram expedidos 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva. Entre os presos estava o vice-prefeito de Hortolândia (SP), Cafu César (PSB), além do então secretário municipal de Educação, Fernando Moraes.
As investigações indicam que o esquema investigado estaria em funcionamento desde pelo menos 2021, com ramificações em diferentes municípios do interior paulista.
O foco da apuração são contratos para fornecimento de kits de robótica e livros didáticos. Uma empresa investigada, apesar de ter estrutura limitada, teria recebido valores expressivos por meio de contratos considerados direcionados e superfaturados. Parte dos pagamentos teria sido realizada com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
De acordo com os investigadores, o dinheiro público era posteriormente fragmentado em operações financeiras para dificultar o rastreamento, incluindo transferências entre empresas, uso de companhias de fachada, emissão de boletos e saques em espécie.
A investigação também apura a atuação de pessoas responsáveis por intermediar interesses junto a órgãos federais, especialmente em Brasília, para viabilizar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Entre os nomes citados está o de Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT).
