Gabinete do ódio também no futebol?
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Gabinete do ódio também no futebol?

Milhares de postagens contra Julio Casares sugere 'gabinete do ódio' também no futebol
Milhares de postagens contra Julio Casares sugere 'gabinete do ódio' também no futebol

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Por Claudio Dantas

Levantamento realizado com o uso da ferramenta Brandwatch identificou comportamento atípico no ambiente digital envolvendo menções ao presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, alvo de um processo de impeachment que deverá ser concluído na próxima sexta-feira 16.

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Segundo a análise, os padrões observados indicam a possível atuação de uma militância digital organizada de forma artificial, com o objetivo de ampliar a circulação de narrativas negativas entre os dias 6 e 12 de janeiro.

Ao longo dos seis dias, foram registradas 34.911 publicações na rede X relacionadas a Casares. Desse total, 27.162 correspondem a repostagens, enquanto apenas 7.749 são publicações originais. O volume, porém, não se distribuiu de maneira orgânica.

A análise aponta uma forte concentração de atividade em um número reduzido de perfis.

Os 20 perfis mais ativos foram responsáveis por 4.504 publicações no período, uma média aproximada de 225 publicações por perfil em apenas seis dias. Quando considerados os 100 perfis mais ativos, esse grupo concentrou 9.333 publicações, reforçando a assimetria na distribuição do volume total de menções.

Entre os perfis desse ‘top 20’, alguns chegaram a republicar mais de 500 conteúdos ao longo do período analisado. Em casos específicos, foram identificados picos de até 70 republicações em um intervalo de uma hora, ritmo considerado incompatível com o comportamento de usuários comuns.

Além disso, a análise qualitativa desses perfis revela comportamentos altamente semelhantes.

Em sua maioria, eles produzem pouco ou nenhum conteúdo próprio, atuando quase exclusivamente na replicação sistemática de materiais publicados por páginas políticas, figuras de oposição, influenciadores e também por jornalistas e veículos de imprensa, especialmente matérias, análises e opiniões críticas à gestão de Julio Casares.

Outro ponto destacado pelo estudo é o padrão recorrente de identidade visual desses perfis. A maioria não utiliza fotografias reais de pessoas como imagem de perfil, optando por avatares genéricos, símbolos, ilustrações, paisagens ou personagens.

Esse tipo de configuração é frequentemente associado a perfis de baixa personalização identitária, o que reduz custos de substituição e facilita operações em escala. De acordo com o levantamento, essa dinâmica de replicação, quase simultânea, cumpre uma função estratégica de amplificação artificial.

O alto volume de compartilhamentos concentrados em curtos períodos sinaliza aos algoritmos das plataformas uma percepção artificial de relevância, aumentando a probabilidade de entrega do conteúdo a audiências mais amplas. Ao mesmo tempo, o volume elevado de interações cria, para o público, a impressão de engajamento orgânico e relevância, ainda que essa tração seja induzida.

O estudo também aponta que esses perfis estão bem inseridos no ecossistema digital relacionado ao São Paulo Futebol Clube. Eles seguem um número significativo de usuários reais e, em muitos casos, também são seguidos por perfis autênticos, o que amplia o alcance das mensagens replicadas.

Na prática, conteúdos amplificados artificialmente passam a circular em redes legítimas, atingindo usuários que não participam diretamente da dinâmica coordenada.

O conjunto de evidências de uma ‘milícia digital’, muito mais poderosa que a identificada no caso Master, é robusto:

a) concentração de volume;

b) média elevada de publicações por perfil;

c) repetição comportamental;

d) ausência de autoria original;

e) uso recorrente de avatares não humanos;

f) cadência intensa de republicações,

g) e inserção estratégica na rede.

Parece que a Polícia Federal vai ter mais trabalho.

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