Alive debate nova ofensiva da Receita Federal sobre transações financeiras
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alive debate nova ofensiva da Receita Federal sobre transações financeiras

Especialistas apontam risco de violação de sigilo bancário, aumento da burocracia e impacto direto sobre trabalhadores informais

Para Marsiglia, discurso de combate à evasão fiscal é falso. Foto: Reprodução/ Programa Alive

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O programa Alive, apresentado nesta quarta-feira (12) pela cientista política Júlia Lucy, discutiu a nova medida adotada pela Receita Federal que amplia o acesso a dados de transações financeiras realizadas por meio de cartões de crédito e instituições de pagamento.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A norma prevê o compartilhamento de informações quando a movimentação mensal ultrapassar R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para empresas.

A mudança ocorre com a ampliação do uso da plataforma e-Financeira, sistema eletrônico integrado ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), por meio do qual o Fisco passa a receber informações consolidadas de bancos digitais, operadoras de cartão, aplicativos de pagamento e grandes varejistas. Segundo a Receita Federal, o objetivo é fortalecer a fiscalização, combater a evasão fiscal e aumentar a transparência das operações financeiras.

Para Lucy, o alcance da medida levantou preocupações sobre a relativização do sigilo financeiro. Ela avalia que o monitoramento das movimentações, ainda que sem identificação direta de remetentes e destinatários, representa uma quebra indireta de sigilo.

Ao exemplificar a situação de trabalhadores autônomos, como faxineiras, marceneiros e prestadores de serviços gerais, Lucy destacou que o volume movimentado não reflete, necessariamente, renda efetiva, já que muitos profissionais recebem valores que são imediatamente destinados à compra de materiais e insumos, o que pode gerar distorções na análise fiscal.

“Na prática, essas pessoas podem ser chamadas a pagar Imposto de Renda mesmo sem terem lucro real, sendo obrigadas a comprovar custos e despesas”, afirmou.

Lecy alertou que o efeito imediato da medida tende a ser o aumento da burocracia e da carga tributária sobre profissionais mais vulneráveis, que não dispõem de estrutura contábil para atender às exigências do Fisco.

O advogado André Marsiglia avaliou a nova regra como parte de um padrão de atuação do governo federal. Segundo ele, críticas a medidas oficiais têm sido frequentemente rotuladas como desinformação, até que os próprios fatos confirmem as preocupações levantadas.

Marsiglia afirmou que a ampliação do monitoramento financeiro contribui para o enfraquecimento do sigilo bancário e amplia a vigilância sobre o cidadão comum.

Para o advogado, o discurso de combate à evasão fiscal tem servido como justificativa para um controle mais amplo das transações financeiras, sem o devido debate público.

“O resultado é um cenário em que o contribuinte passa a ser permanentemente monitorado, enquanto garantias como o sigilo bancário se tornam cada vez mais frágeis”, disse.

Assista ao programa completo:

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade