Deputado alerta para envolvimento de políticos e critica blindagem de investigados
Em entrevista ao programa ALive nesta quinta-feira (13), apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, o deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) afirmou que, quando forem definidos os nomes que disputarão a Presidência em 2026, a CPMI do INSS terá um “final bombástico”.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp“A partir daí é que as pessoas começam a pular do barco: ‘o barco vai afundar, pula’. Aí você vai ver que vai ter um resultado esclarecedor e bombástico envolvendo muitos políticos”, disse.
Segundo ele, há “muito peixe grande” envolvido no roubo do INSS. “Tem peixe grande demais nesse processo aí. E, você percebeu também, que existe uma certa blindagem de pessoas ligadas ou envolvidas com o governo. Da mesma forma, alguns personagens, senadores famosos, que também não podem, estão sendo blindados.”
Ele também afirmou que a comissão “não pode terminar em pizza” e disse esperar que a investigação resulte em “no mínimo 50 prisões”. “E se entrar na área dos consignados, aí você vai ver que o rombo é muito maior do que a gente está falando”, acrescentou.
O parlamentar também criticou o STF, que, segundo ele, tem dificultado o avanço das investigações contra o roubo dos aposentados: “Infelizmente, a gente conta com o STF atrapalhando as investigações da CPI do INSS, tirando o poder da CPI de fazer questionamentos técnicos a respeito de determinados assuntos. O investigado simplesmente pode dizer que se reserva no direito de permanecer calado”.
“Aliás, esse direito pode até existir, já existe no inquérito policial — ninguém é obrigado a falar. Mas lá pode haver o pedido de prisão. E na CPI estão atrapalhando. Esses habeas corpus concedidos pelo Supremo têm impedido”, afirmou Fraga.
De acordo com o deputado, o relator da comissão, Alfredo Gaspar, que é seu amigo, disse que as decisões do Supremo “têm impedido que eles avancem com assuntos mais contundentes, mostrando que os caras estão mentindo descaradamente — e não se pode fazer nada”.
PROIBIÇÃO DOS DESCONTOS
Fraga também disse esperar que Lula (PT) não vete o projeto que proíbe descontos de associações em benefícios do INSS. A proposta, aprovada ontem (12) pelo Senado Federal e encaminhada para sanção do petista, determina que qualquer contribuição a associações ou sindicatos seja feita exclusivamente por boleto bancário.
“Se ele vetar, vai dizer que é conivente com essa roubalheira toda que está acontecendo aí no INSS. E, se ele vetar, eu tenho certeza que a gente derruba o veto”, afirmou o parlamentar.
Fraga defendeu que o uso do boleto “mata de uma vez por todas essas fraudes” contra aposentados e pensionistas. Ele destacou ainda que dois projetos de sua autoria foram incorporados à proposta, sendo que um deles previa punição “até mesmo para o banco que faz desconto de forma ilegal”.
CPI DO CRIME ORGANIZADO
Fraga também comentou sobre a CPI do Crime Organizado, instalada na semana passada no Senado. Segundo ele, os parlamentares que participarem da comissão “não podem ter medo”.
“Os deputados que vão para lá têm que ser pessoas destemidas porque vai ter ameaças, e quem tem medo de morrer não pode ir para essa CPI do crime organizado. Se for a fundo mesmo, muita coisa pode acontecer com a audácia e o atrevimento que hoje o crime organizado tem. Muitos deputados vão pensar duas vezes antes de ir para a CPI”, afirmou.
“Instalar uma CPMI do crime organizado e ser superficial de nada adianta. Alguém terá coragem de entrevistar os líderes de facções? Só vão conseguir com os que estão presos. E nos casos com participação comprovada de políticos, ali pode se puxar um fio de meada”, continuou Fraga.
“Se eu fosse presidente da CPI, ou se estivesse nela, queria saber como o ministro Flávio Dino chegou no Complexo da Maré e entrou lá sem nenhuma segurança, e como o próprio presidente Lula esteve envolvido”, disse o deputado, que completou: “E gostaria de saber como a dama do tráfico foi convidada para ir ao Palácio da Alvorada, conversar com o presidente, com passagens custeadas pelo próprio governo federal”.
