BBC admite erro em discurso de Trump e pode ser processada
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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BBC admite erro em edição de discurso de Trump e enfrenta ameaça de processo de US$ 1 bilhão

BBC admite erro em discurso de Trump e pode ser processada

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Emissora britânica reconheceu falha na montagem de fala de Trump e enfrenta pressão judicial do presidente dos EUA

A BBC admitiu ter cometido um “erro de julgamento” na edição de um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exibido em 2021, no mesmo dia em que seus apoiadores invadiram o Capitólio. A admissão foi feita após Trump ameaçar processar a emissora por difamação, exigindo retratação pública, pedido de desculpas e indenização de US$ 1 bilhão.

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O documentário, produzido pelo tradicional programa Panorama, reuniu dois trechos distintos do discurso de Trump, criando a impressão de que ele incitava a invasão do Congresso. Segundo os advogados do presidente, o conteúdo foi “falso, difamatório e manipulado”, com a intenção de manchar sua imagem antes da eleição presidencial de 2024.

A controvérsia levou à renúncia do diretor-geral Tim Davie e da diretora-executiva de Notícias Deborah Turness, no domingo (9), após a repercussão do caso e da publicação de um memorando interno vazado. O documento, assinado pelo ex-conselheiro da emissora Michael Prescott, apontava viés político e falhas éticas em coberturas recentes da BBC.

chefes da BBC pedem demissão após ameaça de Trump
chefes da BBC pedem demissão após ameaça de Trump

O presidente da emissora, Samir Shah, confirmou nesta segunda-feira (10) o erro na edição e pediu desculpas, mas negou que a empresa tenha um padrão de parcialidade institucional.

“A BBC gostaria de se desculpar por esse erro de julgamento”, disse Shah em carta enviada a parlamentares britânicos.

Segundo ele, a emissora está analisando como responder à ameaça judicial.

“Sei que o DNA e a cultura da BBC News são imparciais. É fornecer as melhores e mais confiáveis notícias possíveis”, afirmou Shah.

Trump exige retratação e indenização

O advogado de Trump, Alejandro Brito, enviou uma notificação à emissora exigindo uma retratação “completa e justa”, um pedido formal de desculpas e compensação financeira pelos danos causados. Caso o prazo — até 14 de novembro, às 17h (horário da Flórida) — não seja cumprido, o presidente americano promete acionar a Justiça.

“Se a BBC não cumprir o acima exposto até 14 de novembro de 2025, às 17h, o presidente Trump não terá outra alternativa senão exercer seus direitos legais, incluindo o ajuizamento de uma ação judicial por danos no mínimo US$ 1 bilhão. A BBC está notificada”, diz o documento.

De acordo com a defesa, a emissora violou a lei de difamação da Flórida ao omitir e justapor trechos do discurso de forma enganosa, criando uma narrativa de incitação à violência que não corresponde à fala original. O texto jurídico afirma ainda que a BBC agiu com intenção deliberada de prejudicar a imagem de Trump durante o período eleitoral.

Relatório interno aponta viés político

O caso ganhou força com o vazamento de um relatório interno da BBC, publicado pelo jornal britânico Daily Telegraph. O documento listava uma série de problemas de imparcialidade e distorção editorial, incluindo:

  • Viés “anti-Trump” nas eleições de 2024, com cobertura mais crítica ao republicano do que à democrata Kamala Harris;

  • Reportagens “mal pesquisadas” sobre racismo e temas sociais;

  • Falta de equilíbrio na cobertura sobre pessoas trans e sobre o conflito Israel–Gaza;

  • Viés anti-Israel em transmissões da BBC Árabe, com distorções sobre vítimas civis e bloqueio de ajuda humanitária.

Prescott classificou o episódio do Panorama como um exemplo emblemático de “falta de controle editorial e enviesamento ideológico”.

Crise interna na emissora

A polêmica gerou uma crise institucional na emissora pública britânica. Além das renúncias, Shah anunciou que uma revisão editorial completa será feita para reavaliar os padrões de produção e supervisão jornalística.

A BBC enfrenta críticas crescentes de parlamentares britânicos e de parte do público por suposta manipulação de narrativas políticas. Shah, no entanto, insistiu que a emissora segue pautada pela imparcialidade e que o caso de Trump foi um erro isolado.

“Há erros individuais e falhas pontuais, mas não há parcialidade sistêmica na BBC”, declarou o presidente.

Enquanto isso, Trump reforçou publicamente que não aceitará “ataques coordenados” contra sua imagem. Segundo sua equipe, o presidente está disposto a levar o caso até as últimas instâncias para “restaurar a verdade e responsabilizar a imprensa que o difama”.

O diretor-geral cessante, Tim Davie, deverá se reunir com funcionários nesta semana para discutir o impacto da crise e as medidas de correção. Internamente, jornalistas relataram pressões políticas e falhas na checagem de conteúdo nas últimas coberturas eleitorais.

Para Trump, o caso é mais uma evidência de que setores da imprensa tradicional atuam de forma coordenada para interferir na política americana.

O desfecho dependerá da resposta da BBC até sexta-feira (14). Caso não haja acordo, o presidente dos EUA deve formalizar o processo por difamação internacional, em valor estimado em US$ 1 bilhão.

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