Encontro deve confrontar versões sobre fraudes que levaram à queda do presidente do INSS e do ministro Carlos Lupi
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou hoje (06) dois requerimentos para realizar uma acareação entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o advogado Eli Cohen, responsável pelas primeiras denúncias sobre descontos indevidos nas aposentadorias.
O “Careca do INSS” está preso desde 12 de setembro e foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, no fim de outubro. Eli Cohen já havia sido ouvido pela CPMI em 1º de setembro e deverá prestar novo depoimento em data ainda a ser definida.
Cohen foi um dos primeiros a denunciar o esquema de fraudes que envolvia descontos automáticos de mensalidades e contribuições associativas sem autorização de aposentados e pensionistas. As denúncias levaram à investigação sobre o papel de entidades e sindicatos ligados à base do governo.
O caso foi revelado em dezembro de 2023 e mostrou que entidades associativas receberam mais de R$ 2 bilhões em um ano com cobranças suspeitas. As reportagens também apontaram milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As informações resultaram na abertura de inquérito pela Polícia Federal e em apurações conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo a PF, 38 reportagens sobre o caso foram usadas como base para a Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. A ação levou às demissões do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
A acareação entre o “Careca do INSS” e Eli Cohen deve aprofundar as investigações sobre a origem do esquema e o envolvimento de agentes públicos e entidades que, segundo parlamentares da oposição, se beneficiaram politicamente e financeiramente durante o governo Lula.
