Ex-ministro afirmou que desconhecia Maurício Camisotti e que a gestão focou no controle do consignado
A CPMI do INSS ouviu nesta quinta-feira (6) o ex-ministro do Trabalho e Previdência Onyx Lorenzoni, que chefiou a pasta entre 2021 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). O depoimento ocorreu em meio às investigações sobre irregularidades em descontos associativos a aposentados e pensionistas.
Questionado pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), Onyx negou qualquer relação com o “Careca do INSS” ou com Maurício Camisotti. Ele explicou que, ao assumir o ministério, recebeu de Bolsonaro a missão de resolver dois problemas: o acúmulo de 2,5 milhões de processos e as falhas no sistema de crédito consignado.
O ex-ministro afirmou que, em sua gestão, não havia relevância no tema dos descontos associativos e que o foco foi reduzir a fila de benefícios e aprimorar os controles do INSS. Disse ainda que o decreto de regulamentação do ministério foi elaborado entre agosto e setembro de 2021 e publicado em maio de 2022.
Onyx relatou que contou com o então secretário Bruno Bianco e convidou Leonardo Rolim para chefiar a Secretaria Nacional de Previdência, por considerá-lo o mais preparado no tema. Segundo ele, Rolim deixou a presidência do INSS para assumir o novo posto, e José Carlos Oliveira foi indicado para comandar o instituto.
De acordo com Onyx, a escolha de Oliveira se deu por sua experiência técnica e histórico de gestão. O ex-ministro destacou avanços como o fim da prova de vida presencial, a contenção parcial dos problemas do consignado e a redução da fila de benefícios para cerca de 900 mil processos.
Ele atribuiu os resultados à autonomia concedida por Bolsonaro aos ministros e afirmou que o presidente “nunca interferiu” nas nomeações da equipe. “O presidente Bolsonaro dava autonomia completa para os ministros, para os diretores, para os presidentes estatais, para montar sua equipe de acordo com as suas escolhas pessoais”, disse.
Na terça-feira (5), Onyx esteve no Senado e se reuniu com o senador Rogério Marinho (PL-RN), membro da CPMI. O colegiado já ouviu os ex-ministros José Carlos Oliveira e Carlos Lupi. Um acordo entre governistas e oposição prevê a convocação de todos os ex-titulares da pasta desde 2015.