MPF cobra explicações sobre possível uso de verbas federais em Operação Contenção
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

MPF cobra explicações sobre possível uso de verbas federais em Operação Contenção

O pedido é assinado pelo procurador da República Eduardo Benones. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
O pedido é assinado pelo procurador da República Eduardo Benones. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Procuradoria requisita informações ao Estado e à União sobre possível aplicação de recursos do FNSP em ação

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou ao Estado do Rio de Janeiro e à União informações sobre a possível utilização de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) na megaoperação realizada nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025.

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A ação, considerada a mais letal da história do país, mobilizou cerca de 2.500 agentes e resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais.

O pedido, assinado pelo procurador da República Eduardo Benones, integra um procedimento que fiscaliza o repasse e a aplicação das verbas federais destinadas à segurança pública no estado.

O MPF alerta que, caso se confirme o uso excessivo da força, mutilações ou execuções sumárias, “o episódio pode configurar grave violação de direitos humanos e gerar responsabilização internacional do Estado brasileiro”.

“Com a diligência determinada, o MPF busca assegurar a transparência na gestão dos recursos federais e o cumprimento das determinações do STF quanto à redução da letalidade policial no estado do Rio de Janeiro”, diz o trecho.

O que o MPF quer saber

O órgão solicitou à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP) detalhes sobre os repasses do FNSP ao Rio, incluindo valores, instrumentos jurídicos utilizados, planos de aplicação e situação de execução de cada convênio.

Também pediu informações sobre o uso de recursos para aquisição de veículos, equipamentos e câmeras corporais, além da preservação das gravações.

Ao Comitê Gestor do FNSP, o MPF requisitou dados sobre fiscalização e acompanhamento dos repasses, registros de irregularidades e a adequação dos recursos à redução da letalidade policial.

Já à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio (Sesp/RJ), pediu detalhes da operação, como planejamento, órgãos envolvidos, uso de equipamentos e medidas de preservação das imagens das câmeras corporais.

Segundo o MPF, a apuração atende a determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na  Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que estabelece diretrizes para operações policiais em comunidades e obriga o acompanhamento das verbas federais destinadas à segurança pública e à redução da letalidade policial no Rio de Janeiro.

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