Plano de trabalho do relator Alessandro Vieira divide apuração em nove eixos
A CPI do Crime Organizado aprovou o plano de trabalho apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), que divide as investigações em nove eixos e prioriza o rastreamento de lavagem de dinheiro e a infiltração de facções em setores legais da economia, como combustíveis, garimpo, setor imobiliário e bebidas.
O relator propôs a convocação dos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e José Múcio Monteiro (Defesa), além dos governadores Cláudio Castro (PL-RJ), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jerônimo Rodrigues (PT-BA). Também devem ser chamados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada; o diretor de Inteligência Penal, Antônio Glautter Morais; e o chefe da Abin, Luiz Fernando Corrêa.
Vieira defende ouvir ainda representantes do Coaf, Receita Federal, Banco Central, CNJ e Ministério Público, além de especialistas em segurança pública. O relator afirma que a atuação da CPI buscará “afastar qualquer discussão movida por questões partidárias ou eleitoreiras”.
Instalada nesta terça-feira (4), a CPI será presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e terá Hamilton Mourão (Republicanos-RS) como vice-presidente. A escolha é considerada um alívio para o governo, que vinha sendo pressionado pela oposição na pauta da segurança pública.
O plano prevê apuração sobre a expansão das facções e milícias, corrupção, ocupação territorial, crimes digitais e terrorismo doméstico. Vieira destacou a necessidade de integração entre órgãos de segurança e Forças Armadas, com foco nas fronteiras e rotas usadas por organizações criminosas.
Eixos da investigação da CPI
- Lavagem de dinheiro e finanças ilícitas, com foco em fintechs, criptomoedas e empresas de fachada;
- Ocupação territorial por facções e milícias;
- Corrupção ativa e passiva em todas as esferas do poder público;
- Sistema prisional e influência das facções;
- Crimes digitais e terrorismo doméstico;
- Rotas de tráfico de drogas, armas e contrabando;
- Integração entre órgãos de segurança e Forças Armadas;
- Experiências bem-sucedidas de repressão e prevenção;
- Orçamento e legislação de combate ao crime organizado.
Entre os requerimentos de informação, o relator pede dados à PF, Receita Federal, Coaf e Banco Central sobre movimentações financeiras suspeitas e uso de criptomoedas, além de relatórios do Ministério da Justiça, Defesa, CNJ, CNMP e TCU sobre operações e repasses federais ligados à segurança pública.
“É importante reunir o maior número de informações institucionais, produzidas pelos diferentes órgãos de segurança pública, dada a triste constatação de que um dos graves problemas é justamente a ausência de comunicação entre eles”, afirmou Vieira.
