Republicano foi secretário de Defesa de Bush e ficou conhecido como “O Senhor da Guerra” por sua atuação no Iraque
Dick Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e um dos republicanos mais influentes da história recente do país, morreu nesta segunda-feira (3) aos 84 anos. A família informou que a causa da morte foram complicações de pneumonia e doenças cardíacas e vasculares.
Considerado o vice-presidente mais poderoso da história americana, Cheney foi o principal conselheiro de George W. Bush entre 2001 e 2009, período marcado pelos ataques de 11 de setembro e pela chamada “Guerra ao Terror”. Também ocupou o cargo de secretário de Defesa no governo de George H. W. Bush, de 1989 a 1993, e teve papel decisivo na Guerra do Golfo, que expulsou tropas iraquianas do Kuwait em 1991.
A trajetória política de Cheney começou em 1969, quando ingressou no serviço público federal como assistente especial do Escritório de Oportunidades Econômicas. Nos anos seguintes, assumiu cargos de confiança nas administrações republicanas, inclusive como chefe de gabinete do presidente Gerald Ford entre 1975 e 1977.
Em 1978, foi eleito deputado federal pelo estado de Wyoming, cargo que exerceu por seis mandatos consecutivos. Durante esse período, integrou o Comitê de Inteligência da Câmara e se destacou pela defesa do fortalecimento das Forças Armadas e da política externa assertiva.
No governo Bush pai, Cheney chefiou o Pentágono em uma das fases mais decisivas do cenário global, marcada pelo colapso da União Soviética e pela reconfiguração da OTAN. Também liderou o planejamento da invasão americana ao Panamá, que resultou na captura do ditador Manuel Noriega, e coordenou as operações da coalizão internacional na Guerra do Golfo.
Após o fim da Guerra Fria, defendeu cortes orçamentários graduais nas Forças Armadas, priorizando treinamento e equipamentos já testados em campo. Era crítico da redução excessiva do efetivo militar e defendia a manutenção do poder americano como elemento de estabilidade global.
Durante o governo George W. Bush, Cheney ganhou ainda mais influência. Foi um dos principais formuladores da política de segurança nacional após os atentados de 11 de setembro de 2001. Defendeu a invasão do Afeganistão e, posteriormente, do Iraque em 2003, alegando que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.
Sua atuação também envolveu medidas polêmicas, como programas de espionagem sem autorização judicial, detenções prolongadas de suspeitos de terrorismo e o uso de técnicas de interrogatório severas. Essas ações definiram a política americana de combate ao terrorismo nas décadas seguintes.
Mesmo enfrentando graves problemas cardíacos ao longo da vida — incluindo cinco ataques entre 1978 e 2010 —, Cheney manteve intensa atividade política. Em 2012, passou por um transplante de coração bem-sucedido e continuou participando de eventos e debates públicos.
Nos últimos anos, rompeu com parte do Partido Republicano ao declarar voto na vice-presidente democrata Kamala Harris nas eleições de 2024. Em comunicado, afirmou que Donald Trump representava “uma ameaça à democracia americana”. Sua filha, Liz Cheney, ex-deputada e crítica do trumpismo, acompanhou o posicionamento.
Dick Cheney deixa a esposa, Lynne, e duas filhas. Sua morte encerra a trajetória de um dos personagens mais influentes — e controversos — da política e da estratégia militar dos Estados Unidos no pós-Guerra Fria.
