Alive: "É hora de enfrentar quem movimenta bilhões", diz Vieira sobre a CPI do Crime Organizado
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alive: “É hora de enfrentar quem movimenta bilhões”, diz Vieira sobre a CPI do Crime Organizado

“Master funcionava como lavanderia do PCC”, diz relator da CPI

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Senador afirma que a comissão fará análise técnica e apartidária sobre facções e proporá soluções estruturais

O programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, recebeu nesta quinta-feira (30) o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Durante a entrevista, o parlamentar destacou a necessidade de uma “análise técnica, profissional e apartidária” sobre o avanço das facções criminosas no país.

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“O objetivo principal é realizar uma análise abrangente da atuação das facções criminosas e suas ramificações, avaliando as políticas públicas que demonstraram eficácia e aquelas que não surtiram o efeito desejado, tanto nos estados brasileiros quanto em outros países. Buscamos identificar as falhas na integração das forças de segurança e, ao final, propor um conjunto de sugestões e recomendações, que podem incluir questões orçamentárias, alterações legislativas e o aprimoramento da integração entre as forças de segurança”, explicou.

Operação Contenção 

O colegiado será oficialmente instalado na próxima terça-feira (4), conforme anunciou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A criação da CPI ocorre na esteira da megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro — a mais letal da história — que deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais.

Batizada de Operação Contenção, a ação envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e cumpriu mais de 100 mandados de prisão. Segundo o governo do Rio, 113 suspeitos foram presos; 118 armas foram apreendidas — sendo 91 fuzis — além de 14 explosivos e drogas.

CPI vai iniciar com convocações de quem está na linha de frente 

Durante o programa, o assessor do governador do RJ, Cláudio Castro (PL), Tadeu Vieira, elogiou a iniciativa do senador e sugeriu que a CPI convoque especialistas em inteligência.

“Senador, é hora de aproveitar essa operação, tirar proveito dela. Essa discussão veio à tona e a população brasileira aprovou. A CPI precisa ouvir as áreas de inteligência, principalmente do Rio de Janeiro, que é o epicentro das facções. É hora de expor o problema e buscar soluções concretas”, afirmou.

Foto: Republicação/ Youtube Claudio Dantas

Ao responder, Vieira reforçou que o trabalho começará ouvindo quem está na linha de frente.

“O plano de trabalho vai começar com os profissionais — promotores, juízes, delegados — que lidam diretamente com facções como o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e as milícias”, explicou.

“Precisamos entender o que funciona, o que não funciona e o que está faltando para enfrentar organizações que movimentam bilhões de reais. Essas pessoas estão lutando sem estrutura adequada”, completou.

Exércitos irregulares

Dantas lembrou que o Comando Vermelho surgiu ainda durante a ditadura militar, em 1979, no presídio da Ilha Grande, com a mistura de presos políticos e criminosos comuns — origem que moldou o atual cenário da criminalidade organizada.

“Hoje o Comando Vermelho está em 18 estados e tem cerca de 30 mil integrantes, conforme dados de 2020. É uma força irregular que desafia o Estado”, observou.

Para o jornalista, diante de um grupo classificado como exército irregular, “a erradicação de tais grupos é imperativa”, já que a Constituição brasileira impede sua existência.

“A Colômbia recebeu mais de 10 bilhões em ajuda militar dos Estados Unidos para enfrentar guerrilheiros e narcotraficantes que explodiam bombas, jogavam granadas, sequestravam, matavam, carbonizavam, decepavam. É assim que tem que ser; é assim que tem que lidar com o exército irregular. Exército irregular na bala. Exército irregular é para um exército que combate. E o Lula, acovardado, não coloca as Forças Armadas para combater. Isso aqui é guerra. Isso aí é um exército irregular. Tem que ser eliminado. Isso aqui não é processinho. Prende na cadeia, manda para Bangu. Ah, joga no processo, joga para o STF. Negativo. Isso aqui é guerra”, afirmou.

Foto: Republicação/ Youtube Claudio Dantas

“Falhas estruturais”

A advogada Kátia Magalhães analisou o contexto da operação no Rio e afirmou que a situação extrapola o campo da segurança pública. Ela também observou que há áreas do território fluminense onde o Estado perdeu o controle, e defendeu que, nesses casos, a atuação das Forças Armadas pode ser amparada pela Constituição.

“O artigo 142 da Constituição Federal prevê que as Forças Armadas atuarão na garantia da lei e da ordem e na defesa da pátria. Diante da ocupação de parte do território nacional por forças paralelas, a decretação de GLO poderia não ser um requisito para a atuação das Forças Armadas em apoio às polícias militares.”

A cientista política Júlia Lucy seguiu na mesma linha e apontou falhas estruturais no controle de fronteiras.

“Hoje, toda droga que entra no Brasil vem de fora. As armas também. Isso é responsabilidade da Polícia Federal, que deveria garantir a vigilância das fronteiras. Se elas estão desguarnecidas, o problema é federal.”

Assista ao programa completo: 

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