Geração solar e eólica elevada, baixa demanda e crescimento desordenado da microgeração ameaçam colapso da rede elétrica ainda em 2025
O Brasil corre sério risco de sofrer apagão ainda neste ano e o motivo é inusitado: excesso de energia solar e eólica em horários de baixa demanda.
O alerta vem do setor elétrico, que aponta ainda crescimento desordenado da microgeração distribuída (GD), subsidiada, e queda do consumo como fatores que podem desestabilizar a rede.
O sistema elétrico funciona em frequência de 60 Hertz. Quando a geração ultrapassa a demanda, a frequência sobe e aciona desligamentos automáticos de usinas, ameaçando um colapso total da rede.
O risco é maior entre 10h e 12h, especialmente aos domingos, quando a produção solar é alta e o consumo cai.

A geração distribuída já soma 43,4 gigawatts, perto do total das usinas eólicas (35 GW) e solares centralizadas (14 GW). Ao mesmo tempo, o consumo médio em 2025 caiu 10 mil megawatts em relação a 2024, aumentando o desequilíbrio.
Prejuízos causados pelo apagão
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem cortado geração como medida emergencial. Em alguns domingos, o corte chegou a 98% da energia disponível, deixando o país à beira do apagão. Apenas nas usinas solares centralizadas, os prejuízos já somam R$ 1,9 bilhão; em eólicas, R$ 5,9 bilhões desde 2021.
Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, resumiu: “Tenho dificuldade de entender por que o Brasil despacha térmica a carvão e não consegue usar totalmente os parques renováveis. É uma dor de cabeça para qualquer empresário”.