Movimentos alegam abandono do governo após perdas causadas pelas enchentes de 2024
Nesta segunda-feira (13), o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, reuniu especialistas e representantes de movimentos agrários para discutir a falta de respostas efetivas das autoridades aos agricultores do Rio Grande do Sul, duramente afetados pelas enchentes de 2024.
Para a coordenadora do movimento SOS Agro RS, Grazi Camargo, embora o governo federal tenha anunciado alternativas como uma Medida Provisória (MP) de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas — lançada em setembro deste ano —, nenhuma solução prática chegou ao campo.
“Estamos pedindo socorro há mais de 17 meses, e o que o governo nos oferece são soluções paliativas”, afirmou Camargo.
Segundo ela, as renegociações não aliviam o problema, pelo contrário, agravam a situação devido às altas taxas de juros.
“O produtor não tem dinheiro para o óleo diesel, não tem recursos para comprar os insumos necessários para a dessecação, para fazer o tratamento das sementes. Já há produtores que nos ligam desesperados, dizendo que não têm dinheiro nem para comer e que só têm alimentação para os animais por mais dois meses. O cenário aqui é muito pior do que qualquer pessoa possa imaginar”, relatou.
O analista econômico Ary Alcântara também criticou a ausência de uma política agrícola robusta. Segundo ele, hoje é impossível produzir com eficiência sem o uso intensivo de tecnologia — algo inacessível sem financiamento.
“Hoje, para ser um produtor rural eficiente, é necessário investir em alta tecnologia. Essa tecnologia de ponta é inviável com capital próprio, seja em uma pequena propriedade de 30 hectares, seja em uma de 30 mil. É preciso capital de giro para financiar os insumos básicos e, principalmente, para a capitalização do empreendimento. Uma colheitadeira de soja, por exemplo, custa mais de 5 milhões de reais”, disse.
“Não há como trabalhar em uma lavoura de soja industrializada sem esse tipo de equipamento. Para atuar com agricultura de precisão (também chamada de agricultura irrigada) o custo de produção é altíssimo. O Rio Grande do Sul é o berço da agricultura brasileira”, completou.
Para ele, a única saída viável no momento seria decretar uma moratória das dívidas do setor rural, oferecendo alívio imediato aos produtores para que possam reorganizar suas finanças sem a ameaça constante de falência.
O advogado agrarista Néri Perin reforçou o diagnóstico de abandono do setor e fez um comparativo com as ações adotadas no exterior durante a pandemia.
“A título de exemplo, só durante a pandemia, a União Europeia, os Estados Unidos e alguns países da Ásia investiram, em subsídios, 851 bilhões de dólares — perto de 5 trilhões de reais — em pagamentos diretos e indiretos aos seus produtores, para manter a atividade, reconhecendo a importância que ela tem”, afirmou.
Perin destacou que os agricultores brasileiros têm um histórico de adimplência: 99% das operações de crédito rural são pagas em dia. Ainda assim, segundo ele, faltam políticas públicas que reconheçam a importância do setor.
Diante do cenário, o SOS Agro RS passou a oferecer apoio psicológico aos produtores que enfrentam problemas emocionais e psicológicos graves.
“Criamos, juntamente com profissionais da saúde mental, um grupo de apoio chamado SOS Coragem Rural. Temos 16 psicólogos de cinco estados atuando voluntariamente e de forma gratuita, para atender os produtores que precisarem”, concluiu Grazi Camargo.
Claudio Dantas cobra resposta do governo federal e estadual
Ao comentar o assunto, Claudio Dantas também fez duras críticas ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e ao presidente Lula (PT). Segundo o jornalista, ambos demonstram falta de sensibilidade e ação diante da crise enfrentada pelos produtores rurais gaúchos.
“Eduardo Leite fica posando de bom mocinho, mas é um gestor profundamente incompetente e agora, está claro, também insensível. Se estivesse realmente preocupado com os agricultores, teria pego o avião, aquele mesmo que mandou comprar, e vindo a Brasília bater na porta do ministro Haddad, do presidente Lula, para pedir recursos com urgência”, afirmou Dantas.
Ele mencionou ainda o foco dos líderes em temas eleitorais.
“Ficar falando de eleição em 2026 enquanto as pessoas estão morrendo agora, Eduardo? As pessoas estão morrendo agora. Se você não tomar providências, nunca mais será eleito para nada, nem para síndico. Isso é o mínimo que se espera”, iniciou.
“Lula, você que só pensa em eleição, faça pelo menos alguma coisa por essas pessoas”, completou o apresentador.
