Relator pede arquivamento contra Eduardo no Conselho
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Relator pede arquivamento de processo contra Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética

Câmara invalida passaporte diplomático de Eduardo Bolsonaro após cassação do mandato; ex-deputado diz que decisão visa dificultar permanência no exterior

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Marcelo Freitas afirma que sanções dos EUA são decisão soberana e não podem ser atribuídas ao deputado

O deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG) votou nesta quarta-feira (8) pelo arquivamento do processo que pede a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

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Relator do caso, Freitas foi indicado pelo presidente do colegiado e mantém relação próxima com a família Bolsonaro. A representação acusa Eduardo de atuar em defesa de sanções dos Estados Unidos contra o Brasil com o objetivo de “desestabilizar instituições republicanas”.

Em seu parecer, o relator sustenta que não houve afronta à soberania nacional, mas sim manifestações políticas legítimas.

“A Representação parte de uma premissa equivocada: a de que o REPRESENTADO seria, de alguma forma, responsável por eventual adoção de medidas coercitivas ou sanções por parte dos Estados Unidos contra o Brasil. Tal raciocínio, contudo, é factualmente insustentável e juridicamente improcedente, pois confunde atos de Estado soberano com manifestações individuais de natureza política”, afirma o documento.

Freitas argumenta ainda que a decisão de aplicar sanções é prerrogativa exclusiva de cada país: “A decisão de um país estrangeiro de adotar ou não sanções econômicas, diplomáticas ou políticas é, em essência, ato de soberania”.

O relator acrescenta que responsabilizar um parlamentar por um ato dessa natureza “ignora o princípio fundamental do Direito Internacional Público”, segundo o qual cada Estado é autônomo e responsável por suas próprias decisões políticas e jurídicas.

Ele também destacou que críticas políticas em organismos internacionais fazem parte da prática parlamentar: “Em democracias consolidadas, parlamentares de oposição frequentemente recorrem a organismos internacionais para expor visões críticas sobre políticas internas, sem que isso seja interpretado como ato de traição ou quebra de decoro”.

Após a leitura do parecer, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) pediu vista do processo. A votação do relatório deve ocorrer na próxima semana. Caso o parecer seja rejeitado, um novo relator será designado. Se aprovado, ainda caberá recurso conforme as regras da Câmara.

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