Aliados de Bolsonaro dizem que nomeação mostra endurecimento dos EUA e “fim da química” entre Trump e o petista
A oposição ao governo do presidente Lula reagiu com entusiasmo à escolha do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para conduzir as negociações comerciais com o Brasil. A indicação foi feita pelo presidente Donald Trump após uma conversa de cerca de 30 minutos com o petista, realizada por videoconferência na manhã desta segunda-feira (6).
A reunião foi mantida em sigilo até o seu encerramento. Segundo o Planalto, o diálogo tratou da retirada da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e de restrições a autoridades nacionais. Apesar de o governo classificar o tom da conversa como “positivo”, a oposição interpretou o gesto como um sinal de endurecimento dos Estados Unidos.
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) afirmou que “a química azedou” entre os dois presidentes. “Rubio seguirá a carta do Trump: normalidade democrática, acabar com censura e perseguição política, eleições livres e deixem Bolsonaro em paz”, escreveu nas redes sociais.
Na mesma linha, o líder da oposição, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que a decisão do governo norte-americano evidencia o isolamento diplomático do Brasil. “Trump fez uma jogada de craque. Mostrou ao mundo que quem não quer diálogo é o descondenado Lula. Agora está claro: o erro é de Lula”, publicou.
Trump fez uma jogada de craque.
Mostrou ao mundo que quem não quer diálogo é o descondenado Lula.Agora está claro: o erro é de Lula.
Trump deixou Marco Rubio, o secretário mais ideológico, para seguir as negociações das tarifas, um recado direto ao Planalto.Pra quem ainda…
— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) October 6, 2025
Outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro também se manifestaram. O deputado Bruno Engler (PL-MG) chamou a suposta “química perfeita” entre Lula e Trump de “farsa”, e o ex-ministro Fabio Wajngarten disse que o contato tardio “só evidencia o quanto a política externa atual é retrógrada, lenta e sem nenhuma tecnicidade”.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) criticou o formato da reunião, afirmando que Lula “arregou e não teve coragem de enfrentar Trump presencialmente”. Já Bibo Nunes (PL-RS) questionou o motivo do encontro ter sido feito por videoconferência. “Será que teme levar uma bronca de Trump pelas atrocidades e censura que vêm acontecendo no Brasil?”, ironizou.
Pelas redes sociais, Trump classificou o diálogo como produtivo e disse que o foco foi “a economia e o comércio entre os países”. O republicano também confirmou a designação de Rubio para liderar as negociações e informou que deve se encontrar pessoalmente com Lula durante a cúpula da ASEAN, na Malásia, ainda neste mês.
