O perfil oficial do Governo do Brasil (canal do governo Lula) gastou cerca de R$ 22 milhões em anúncios no Facebook e no Instagram nos últimos 90 dias, segundo dados públicos da Biblioteca de Anúncios da Meta. O investimento foi realizado em ano eleitoral e ocorre enquanto o governo defende mudanças na regulação das plataformas digitais. As informações motivaram uma ofensiva da oposição, com pedidos de esclarecimentos à Secom petista e representações aos órgãos de controle.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) informou que protocolou um pedido de informações à Secom para detalhar quais órgãos realizaram os gastos, quais campanhas foram veiculadas, por quais agências a publicidade foi contratada e quais critérios de segmentação foram utilizados. O parlamentar também anunciou que apresentará um Pedido de Fiscalização e Controle ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que os investimentos sejam auditados.

“O valor chama atenção por si só. Mas chama ainda mais por ocorrer em ano eleitoral e justamente nas redes sociais que o próprio governo tenta, a todo custo, censurar sob o pretexto de ‘regulamentação”, escreveu o deputado.
Oposição amplia ofensiva sobre publicidade oficial
A iniciativa de Nikolas ocorre em meio a outros pedidos de investigação apresentados por parlamentares da oposição. O deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolou representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a abertura de procedimentos para apurar o crescimento dos gastos com publicidade institucional do governo federal em 2026.
Nos documentos, Sanderson solicita que sejam investigados eventual abuso de poder político e econômico, possível desvio de finalidade e eventual descumprimento das regras previstas na legislação eleitoral para publicidade institucional em ano de eleição.
O parlamentar também pediu que a Secom encaminhe informações detalhadas sobre contratos, campanhas publicitárias, planos de mídia, critérios de distribuição das verbas e valores executados, além da análise dos possíveis efeitos eleitorais dessas campanhas de Lula.
Segundo Sanderson, a Constituição e a Lei das Eleições estabelecem limites para impedir o uso da publicidade institucional em benefício político durante o período eleitoral.
Relatório aponta gastos acima do limite legal
A ofensiva da oposição também se apoia em um relatório elaborado com base em dados do Portal da Transparência, segundo o qual a Secom empenhou R$ 178,04 milhões em publicidade do governo Lula no primeiro semestre de 2026.
De acordo com o documento já adiantado pela equipe deste site, o valor supera em R$ 42,3 milhões o limite previsto pelo artigo 73 da Lei nº 9.504/1997. O levantamento calcula que o teto para o período seria de R$ 135,7 milhões, considerando a média mensal dos gastos realizados entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025.
Os dados indicam que, entre esses três anos, a União empenhou aproximadamente R$ 814,4 milhões em publicidade institucional, o que corresponde a uma média mensal de R$ 22,6 milhões.
Os dados utilizados no relatório apontam crescimento das despesas com publicidade institucional ao longo do atual mandato presidencial. Segundo o levantamento, foram empenhados R$ 175,8 milhões em 2023, R$ 234,9 milhões em 2024 e R$ 391,5 milhões em 2025, mais que o dobro do registrado no primeiro ano considerado na série.
