Líder do governo no Senado disse no Estúdio i (GloboNews) que o país “não aguenta viver de eleição em eleição”
O senador Jaques Wagner (BA), líder do governo no Senado, afirmou que o Brasil deveria adotar mandato de cinco anos, e com “coincidência total” das eleições. A declaração foi dada em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, na tarde ontem (1º).
Segundo ele, o atual calendário cria “loucura” eleitoral permanente: “Então, ninguém aguenta! (…) Porque na verdade a gente está vivendo de eleição em eleição. Eleição é bom, que é a festa da democracia? É. Mas tudo que é demais, como a gente diz aqui na Bahia, é sobra.”
Wagner sustentou que a proposta é opinião pessoal e, segundo o senador, não seria unanimidade na esquerda. “Tem que ser cinco anos sem reeleição e com coincidência total”, disse. O senador também defendeu a formação de “novos quadros” na esquerda, reforçando a necessidade de renovação política. As falas foram divulgadas pelos perfis oficiais da GloboNews.
Ao vivo, o líder do governo descreveu um “fatigante” ciclo bienal de disputas: prefeitos tomam posse e, “menos de um ano” depois, o debate já migra para a próxima corrida. Para ele, a unificação de todos os pleitos em um mesmo ano reduziria a instabilidade política e os custos associados à mobilização eleitoral contínua.
Reforma exige PEC, aprovada em dois turnos, nas duas casas legislativas
Qualquer mudança de duração de mandatos, fim da reeleição e coincidência de eleições exige Proposta de Emenda à Constituição e apoio robusto no Congresso. Wagner ainda afirmou que, para alinhar calendários eleitorais, seria necessário “ampliar eventualmente” o mandato de alguns eleitos durante a transição, o que ele classificou como “mal menor”
No Congresso, tramita uma proposta de emenda constitucional desde maio de 2025. A CCJ do Senado aprovou por maioria a PEC 12/2022, que acaba com a reeleição para presidente, governadores e prefeitos, e fixa mandatos de 5 anos, além de unificar eleições. Para valer, o projeto ainda precisa passar pelo Plenário do Senado, em dois turnos, e depois pela Câmara dos Deputados, também em dois turnos, antes de promulgação.
