Silva acusa Dirceu de não registrar carteira e pagar salários parcialmente
Funcionário de José Dirceu na JD Assessoria e Consultoria, o motorista José Carlos da Silva luta há quase dez anos na Justiça para receber direitos trabalhistas não pagos pelo ex-ministro petista.
Silva afirmou em reportagem da Veja ter trabalhado entre maio de 2012 e dezembro de 2014, exercendo a função de motorista, sem registro na Carteira de Trabalho a partir de abril de 2013. Segundo o processo, os salários não foram pagos regularmente.

“Indagado ao depoente em qual horário trabalhava, informou que havia dias que chegava às 8h e saía à 1h da manhã; que nos demais dias trabalhava das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira; que permanecia à disposição da reclamada 24 horas”, registra o depoimento.
O valor da ação supera R$ 430 mil. Dirceu chegou a ser condenado em primeira instância, mas recorreu alegando que fora notificado enquanto cumpria pena em Curitiba durante a Operação Lava Jato.
A luta de Silva contra Dirceu, que faturou pelo menos R$ 29 milhões na JD Consultoria, segue na Justiça.
Em paralelo, em 2021, Dirceu publicou um texto no Poder360 exaltando a classe trabalhadora como vanguarda da democracia, defendendo direitos históricos e políticas públicas, incluindo a criação da Petrobras, bancos públicos, reformas agrária, educacional e tributária.
“A classe trabalhadora sempre foi vanguarda nas lutas pela democracia e soberania nacional, desde a criação da Petrobras e a defesa de nossos bancos públicos”, escreveu.
No texto, o ex-ministro ainda afirma que “foi preciso um golpe de Estado para tirar Dilma”, o petista contradiz a realidade: o impeachment foi aprovado pelo Congresso, chancelado pelo STF e conduzido conforme a Constituição.
Relembre quem é o Dirceu
José Dirceu de Oliveira e Silva durante 1987 a 1991, atuou como deputado estadual por São Paulo, eleito com 23.990 votos. Por três legislaturas, 1991 a 2005, foi deputado federal e, entre 2003 e 2005, foi ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula.

Em 2016, Dirceu foi condenado a 23 anos e três meses de prisão no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-ministro foi acusado corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa por de ter recebido suposto caixa dois para o PT nas eleições de 2010.
O “descondenado” chegou a lançar em 2018 o 1º volume do livro “Zé Dirceu: Memórias”, no qual relembra o exílio durante a ditadura militar, a volta ao Brasil ainda na clandestinidade, na década de 1970, e sua ascensão no Partido dos Trabalhadores.
