Coaf rastreou R$ 1,2 milhão em operações de Maurício Camisotti com a BK Bank e a Guardiões Câmbio
A Polícia Federal aponta que Maurício Camisotti, preso em 12 de setembro, controlava três entidades envolvidas na “farra” de descontos indevidos sobre aposentadorias do INSS. Relatórios do Coaf identificam R$ 1,2 milhão em operações do empresário com uma fintech e uma casa de câmbio associadas a investigados por ligação com o PCC.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppSegundo os documentos financeiros, Camisotti transferiu R$ 568 mil para a Guardiões Câmbio e Turismo, cujo responsável é acusado pelo Ministério Público de atuar como laranja em lavagem ligada a hotéis da Cracolândia. Há ainda um repasse de R$ 518 mil do BK Bank ao empresário — fintech investigada por fraudes e lavagem no setor de combustíveis. A PF descreve o BK Bank como um “banco paralelo”, que operava por meio de “conta bolsão” e recebeu mais de 10,9 mil depósitos em espécie (R$ 61 milhões) entre 2022 e 2023.
Camisotti e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, foram presos na mesma operação. A investigação atribui às entidades ligadas a Camisotti faturamento superior a R$ 1 bilhão desde 2021 e repasses de ao menos R$ 25,5 milhões ao lobista. A defesa de Camisotti não respondeu até a publicação.
A Operação Sem Desconto, deflagrada por PF e CGU em abril, apura uma “indústria” de cobranças não autorizadas que pode ter alcançado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024; parte dos valores já foi ressarcida a 1,6 milhão de beneficiários (R$ 1,084 bilhão). A CPMI do INSS marcou para quinta (25) a oitiva do “Careca do INSS”.
