A advogada e cientista política Carol Sponza afirmou nesta sexta-feira (19), em participação no programa ALive, que o desmembramento do projeto de anistia aprovado na Câmara representa um “cavalo de Troia” contra a oposição e a legalidade democrática. Para ela, o texto não apenas frustra a expectativa de perdão, como pode aumentar as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
“Nem no meu pior pesadelo isso ia se tornar, esse desmembramento de projeto de lei. Eu já estava esperando um cavalo de Troia, mas veio muito pior. Imagina você aumentar as penas dos presos de 8 de janeiro. Quer dizer, a Débora não está bom, com 14 anos de prisão?”, questionou.
Carol destacou o papel de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) como liderança da direita durante as votações, mas criticou a omissão em relação a nomes como Alexandre Ramagem, que, segundo ela, foi abandonado pelos colegas.
“O Ramagem é do PL, e o PL deveria ter pedido a sustação penal dele muito antes. Os pares largaram ele ali para ser queimado, jogado aos leões”, disse.
A cientista política também comentou sobre a declaração de Aécio Neves (PSDB-MG) de que a anistia não teria relação com Jair Bolsonaro. Para Sponza, essa narrativa serve para retirar não só o ex-presidente, mas também aliados próximos da proteção legal.
“Quando tiram o Bolsonaro da jogada, você tira todo mundo do grupo 1 também”, alertou.
Ela ainda criticou a passividade do PL diante de pautas centrais no Congresso Nacional, como a PEC da Blindagem e agora o projeto de anistia.
“O PL já ficou quieto em relação ao projeto da blindagem, vai ficar quieto também em relação à anistia?”, perguntou.
Carol concluiu defendendo que a anistia não deve ser vista como um gesto de pacificação política, mas como instrumento para restaurar a ordem constitucional.
Assista ao programa na íntegra:
