"Conheço Alexandre desde que ele era advogado", diz Paulinho da Força
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

“Conheço Alexandre desde que ele era advogado”, diz Paulinho da Força

Paulinho da Força avalia que prisão de Bolsonaro pressiona votação da Dosimetria
Paulinho da Força avalia que prisão de Bolsonaro pressiona votação da Dosimetria

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Relator da Anistia afirma que proposta será de redução de penas e não de anistia ampla

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), escolhido relator do projeto de lei da anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, afirmou que uma anistia ampla, geral e irrestrita é “impossível”. Segundo ele, a proposta em discussão não trata de perdão, mas de redução de penas.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A escolha foi anunciada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta quinta-feira (18). Paulinho declarou que a solução não agradará nem à direita nem à esquerda, mas será aprovada pela maioria. “Acho que vamos ter que fazer uma coisa pelo meio, que talvez não agrade a extrema direita nem a extrema esquerda, mas que agrade a maioria da Câmara”, disse.

De acordo com o deputado, a ideia de anistia defendida pelo PL foi superada após reunião com integrantes do partido e do centrão. O acordo prevê apenas a diminuição das penas, descartando a derrubada da inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

A Câmara aprovou na quarta-feira (17) a urgência do projeto apresentado por Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), com 311 votos a favor e 163 contra. Paulinho afirmou que a proposta servirá de base para a negociação.

Em entrevista, o relator disse manter diálogo com ministros do STF e citou proximidade com Alexandre de Moraes. “Não sei, eu tenho mais relação com o Alexandre desde quando ele era só advogado, na antiga, aí de São Paulo. Acho que ele é um dos que a gente pode conversar com o ministro Gilmar, o ministro Gilmar é uma pessoa que hoje conversa sempre com a Câmara, com o Senado, enfim, tentar convencer o Supremo de que nós somos pacíficos”, declarou.

Paulinho também afirmou que conversará com governadores e bancadas partidárias para construir o texto final. A minuta discutida pelo centrão prevê reduzir as penas dos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, além de excluir o cúmulo das punições.

Se aprovado, o tempo de prisão de Bolsonaro poderia cair em até 6 anos e 8 meses, com possibilidade de revisão da pena. O ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão.

A escolha de Paulinho para a relatoria considerou sua relação com ministros do Supremo e sua posição de diálogo entre diferentes bancadas. Ele não se reelegeu em 2022, mas voltou à Câmara após decisão do TSE que cassou o mandato de Marcelo Lima.

Em agosto, a Folha mostrou que Paulinho e Moraes estreitaram relação desde o período em que o ministro advogava em São Paulo. Moraes também foi decisivo para reverter uma condenação criminal do deputado, que havia sido sentenciado por crimes financeiros e lavagem de dinheiro, mas teve a decisão anulada em plenário por 6 votos a 3.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade