A aprovação da urgência do projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro foi criticada por deputados governistas nesta quarta-feira (17). Eles classificaram a aliança do Centrão com o bolsonaristas como uma “rendição” e um “dia triste para a democracia”. A medida permite que a proposta seja votada diretamente no plenário da Câmara, sem passar pelas comissões, o que agiliza sua tramitação.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que a aprovação da urgência, com 311 votos favoráveis, foi um passo perigoso. “O que eles [Centrão] discutiam era rejeitar a urgência e vir com um projeto alternativo, que nós da bancada do PT não aceitamos, de revisão de penas de Bolsonaro. Vieram com um projeto que abre caminho para imposição de um texto bolsonarista na hora da votação do mérito”, declarou.
Lindbergh também criticou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por ceder ao grupo que, em protestos anteriores, havia desrespeitado a Mesa Diretora. No início de agosto, deputados da oposição ocuparam a cadeira do presidente da Câmara por 36 horas para impedir os trabalhos e pressionar pela inclusão do texto da anistia na pauta.
“Aqueles amotinados que assumiram sua Mesa, presidente Hugo Motta, aquela turma que te desrespeitou, aquela turma que não foi punida. Olha eles ali, estão comemorando, a gente sabe que eles vão escalar mais”, disse o líder petista.
O vice-líder do governo, Alencar Santana Braga (PT-SP), reforçou as críticas, afirmando que o objetivo da oposição é “simplesmente dar os direitos políticos àquele que está preso, que atentou, que agrediu, inclusive durante o seu mandato, também o nosso povo”.
Para o deputado Rogério Correia (PT-MG), a anistia é inconstitucional e será barrada no Senado ou no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defendeu que o governo não gaste esforços para tentar barrar a proposta, pois se trata apenas de uma “agitação” da extrema-direita. “Quero saber como eles vão resolver o problema posterior, porque essa anistia é inconstitucional”, afirmou.
