Depois de encontro com Lula, Motta reúne líderes para discutir anistia
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Depois de encontro com Lula, Motta reúne líderes para discutir anistia

Hugo Motta cancela reuniões de comissões e adia votação do PL Antiterrorismo. Medida atende ao governo e impede avanço de projeto apoiado pela oposição

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Encontro ocorre às 10h na residência oficial da Câmara, em meio à pressão do Planalto e do STF contra a pauta

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reunirá com líderes partidários agora às 10h para definir as pautas da semana. A oposição insiste no Projeto de Lei da Anistia, que vem sendo boicotado pelo Palácio do Planalto e pelo governo.

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Ontem mesmo Motta esteve com Lula, que insistiu em manter o tema na gaveta. O petista quer atenção especial à MP do setor elétrico, que está prestes a caducar. Se não for votada até quarta-feira por deputados e senadores, ela perderá a validade.

Outro tema fundamental para o Planalto é a aprovação da isenção do IR para renda de até R$ 5 mil.

Depois de anunciar na sexta-feira a liberação de R$ 3,2 bilhões em emendas parlamentares, Lula argumentou que tanto Motta como Davi Alcolumbre devem se alinhar ao governo no que chama de “pauta do povo”, o que não inclui a anistia.

O próprio Motta avalia que a proposta, para beneficiar os presos do 8 de janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, contamina o debate legislativo e tem baixa aceitação popular. O presidente da Câmara pretende encerrar o assunto, em alinhamento com a posição do governo Lula.

OPOSIÇÃO CONTA VOTOS

Até agora, o Centrão e o próprio presidente da Câmara rejeitam a anistia “ampla e irrestrita”, defendida pela oposição.

Com o cenário indefinido, governo e aliados passaram a contar votos para derrotar o projeto. No mesmo dia, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), recalculou o apoio. Em levantamento interno, o PL agora projeta 282 votos favoráveis Para ser aprovado, o projeto precisa de maioria simples e quórum mínimo de 257 deputados.

O debate sobre a anistia ganhou força durante a fase final do julgamento de Bolsonaro no STF. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), encabeçou a articulação. Com a condenação do ex-presidente, a pressão da oposição sobre Motta aumenta.

GILMAR NÃO QUER SABER

Além de Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, o decano Gilmar Mendes voltou a avisar que o Supremo não aceitará anistia ou impeachment. O ministro participou ontem de um evento “em defesa da soberania e contra a anistia em São Paulo”. O evento reuniu representantes de 11 partidos.

“Não espero que o Senado venha a agir para buscar vindita em relação ao STF. Impeachment deve ser um processo regular. Se for por conta de voto de ministro, seria irregular. O STF não vai aceitar”, disse.

Ele também criticou o voto divergente de Luiz Fux, acusando-o de estar “cheio de incoerências”. “Se não houve golpe, não deveria ter havido condenação de outros nomes. Condenar [o tenente-coronel Mauro] Cid e [o general] Braga Netto parece uma contradição nos próprios termos.”

Segundo o ministro, o Brasil “deu um belo exemplo ao mundo de que tentativas de golpe e atentados à democracia precisam ser punidos”.

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