Entenda esquema do PCC que desviava bilhões em postos de combustíveis
Brasília, Domingo, 05 de julho de 2026
Brasil

Entenda esquema do PCC que desviava bilhões em postos de combustíveis

PF e Gaeco cumprem mandados contra PCC que sonegou R\$ 7,6 bilhões em impostos por fraude em combustíveis e fintechs

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Megaoperação mira esquema em oito estados e fintechs do grupo

Uma megaoperação deflagrada nesta manhã (28) em oito estados revelou um esquema de fraude em postos de combustíveis e fintechs com núcleos comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Mais de 350 pessoas e empresas são alvos da força-tarefa.

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A fraude começava na importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. O produto, destinado a empresas de química e biodiesel, era desviado para postos de combustíveis. Nos postos, o metanol era misturado à gasolina e vendido ao consumidor. A fraude era quantitativa, pois o consumidor recebia menos combustível, e qualitativa, já que o metanol não atende às normas técnicas da ANP.

Segundo a Receita Federal, cerca de 1.000 postos vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Mandados de prisão, busca e apreensão são cumpridos em São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP apontou que donos de postos venderam seus estabelecimentos a integrantes do PCC. Alguns não receberam os valores e foram ameaçados de morte caso cobrassem.

O lucro da fraude era redistribuído por meio de shell companies, fundos de investimento e instituições de pagamento, permitindo compra de usinas, distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis. As fintechs controladas pelo PCC operavam com contabilidade paralela, dificultando a identificação dos beneficiários finais.

A facção sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) adotará medidas judiciais para bloquear bens suficientes para recuperar o tributo.

Balanço da operação

  • 141 veículos apreendidos
  • 1.500 veículos sequestrados
  • R$ 300 mil em dinheiro apreendido
  • 300 pessoas físicas como alvo
  • 255 pessoas jurídicas como alvo
  • Bloqueio de R$ 1 bilhão
  • Bloqueio de 21 fundos
  • 192 imóveis apreendidos
  • Duas embarcações apreendidas
  • R$ 8 bilhões em infração

Na coletiva realizada hoje no Ministério da Justiça para esclarecer a operação, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não citaram diretamente o PCC e se recusaram a responder às perguntas dos jornalistas.

Ao final da coletiva, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que seis pessoas foram presas na operação.

“Há 14 mandados de prisão, só seis encontrados, isso não é um número normal, então pode ser que tenha tido algum tipo de vazamento da informação. A Polícia vai investigar”, disse Rodrigues.

 

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