O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira (27) que o Brasil “se perdeu no caminho um pouco na desarmonia entre os Poderes” a partir de 2014, defendendo que a “reconstrução da institucionalidade” é um dos principais desafios do atual governo.
Durante uma reunião, o ministro ressaltou que, apesar de “tropeços”, o presidente Lula tem sido o principal condutor da interlocução entre as instituições para produzir “melhores resultados” para o país. “Estamos reconstruindo a institucionalidade no Brasil”, afirmou.
Haddad avaliou que as disputas ideológicas e de narrativa no cenário político brasileiro têm afetado os indicadores econômicos e tirado o foco dos rumos da política. Segundo ele, “a economia já não tem a mesma medida nos rumos da política”, mesmo com dados recentes positivos sobre o mercado de trabalho.
Em relação à reforma tributária, o ministro defendeu a aprovação de uma medida para cobrar 10% de imposto de renda de quem ganha mais de R$ 1 milhão por ano, uma estimativa que, segundo ele, atinge 140 mil brasileiros.
Haddad argumentou que o Estado brasileiro está “muito pesado” para o trabalhador, que paga impostos em diversas frentes, enquanto o “andar de cima” que reclama do Estado é o que menos contribui.
“Se a gente quer aliviar imposto sobre consumo, imposto sobre a renda do trabalhador, esse pessoal que não colaborava vai ter que começar a colaborar”, concluiu.
O ministro também reiterou o compromisso do governo em realizar uma “grande reforma tributária” que seja “neutra” do ponto de vista fiscal e que cobre mais de quem tem mais e menos de quem tem menos.
Por fim, Haddad negou qualquer intenção de se candidatar ao Senado por São Paulo em 2026. Ele é cogitado como um nome para disputar a vaga com Eduardo Bolsonaro (PL).
