Missão parlamentar tenta adiar tarifa de Trump, enquanto Eduardo Bolsonaro atua para barrar diálogo com EUA
A três dias da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, os senadores brasileiros cumprem agenda com parlamentares norte-americanos em Washington, na tentativa de reforçar o diálogo político entre os dois países e de sustentar a posição institucional do Brasil.
Segundo nota divulgada pelos parlamentares, a delegação articulou apoio da câmara empresarial a um pedido formal pelo adiamento da tarifa. A justificativa é que a medida compromete a previsibilidade de cadeias produtivas e afeta também empresas americanas, principalmente nos setores alimentício e de perecíveis.
“Não viemos com bandeira ideológica, viemos com dados e responsabilidade. O ‘não’ nós já temos, viemos correr atrás do ‘sim’”, disse Trad após encontro com representantes de empresas como Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar.
O grupo também ouviu alertas de especialistas como Stephen Vaughn, que integrou a primeira gestão Trump. Segundo ele, mesmo com derrotas na Justiça, a Casa Branca pode reinstaurar tarifas por outros instrumentos legais. Por isso, os senadores buscam ampliar canais diretos com o Congresso americano.
As reuniões com congressistas dos dois partidos têm início às 10h15 (horário local) desta terça-feira (29) e ocorrem a portas fechadas. Os nomes dos parlamentares americanos envolvidos não foram divulgados.
Apesar da movimentação da comitiva, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que atua para impedir qualquer avanço nas conversas entre os senadores brasileiros e representantes dos EUA. “Com certeza não [estabelecer diálogo], e eu trabalho para que eles não encontrem diálogo, porque sei que, vindo desse tipo de pessoa, só haverá acordos daquele tipo meio-termo, que não é nem certo, nem errado”, declarou ao SBT News.
Eduardo, que agora vive nos Estados Unidos, é apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores das sanções contra o Brasil. Ele celebrou publicamente o anúncio das tarifas por Donald Trump e afirmou que o governo americano estaria reagindo à perseguição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Se ele [Alexandre de Moraes] acha que vai intimidar o Trump, dobrando a aposta, que é o que ele sempre faz, lamentavelmente haverá mais sofrimento por parte dessas autoridades brasileiras”, disse.
Participam da missão os senadores Nelsinho Trad (PSD‑MS), Jaques Wagner (PT‑BA), Tereza Cristina (PP‑MS), Marcos Pontes (PL‑SP), Rogério Carvalho (PT‑SE), Carlos Viana (Podemos‑MG), Fernando Farias (MDB‑AL) e Esperidião Amin (PP‑SC). A viagem foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado.
