Governador do RS catribui desgaste também a postura do governo Lula frente aos EUA
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), classificou como “inadmissível” e “imperdoável” a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL‑SP) na articulação com o governo Donald Trump. Em entrevista ao O Globo, nesta segunda-feira (28).
“Não pode ser admitido, eu acho que tem que ser muito claro, não dá pra admitir, e aqueles que atuam por isso, notadamente da família Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro atuando, ou pelo menos verbaliza que está atuando para isso, é inadmissível, é imperdoável o que estão fazendo em relação ao Brasil”, afirmou o governador.
Leite disse que, mesmo com a menção direta a Jair Bolsonaro na carta, “a gente sabe que tem outros temas politicamente sensíveis e economicamente interessantes que estão por trás dessa movimentação dos Estados Unidos”. Segundo ele, o Brasil pode ter sido escolhido como “exemplo fácil” para demonstrar disposição de Washington em impor tarifas.
O governador também atribuiu responsabilidade ao governo federal: “Eu não posso deixar de dizer também que o presidente Lula também criou um ambiente, na minha visão, muito sensível para isso. Quando insistiu numa percepção anti-americana, a discussão sobre a questão do dólar como moeda usada no comércio internacional, as próprias questões relacionadas aos BRICs, o alinhamento com outros regimes autoritários no mundo.”
Para Leite, o país precisará manter a negociação: “Vai ter que ter muita serenidade, cautela, pode ser que a gente tenha a imposição efetivamente das tarifas. Assim, acho que o país vai ter que continuar negociando com pragmatismo, com bom senso, com equilíbrio, para tentar superar esse quadro difícil que a gente tem pela frente.”
