Jornal norte-americano aponta fraude em registro dos EUA
O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou neste domingo (27) editorial defendendo a soltura de Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto critica a prisão domiciliar imposta ao investigado e aponta falhas em registros do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA.
“Um tribunal brasileiro vem usando registros falsos do CBP para deter o Sr. Martins como um risco de fuga desde março de 2024”, afirmou o editorial.
“Trump talvez começasse melhor em casa, com uma investigação transparente sobre como registros falsos sobre Martins foram publicados em um site do CBP, depois desapareceram e reapareceram”, escreveu o jornal.
Segundo o WSJ, “um tribunal brasileiro vem usando registros falsos do CBP para deter o Sr. Martins como um risco de fuga desde março de 2024 na investigação de um suposto golpe de Estado de Bolsonaro contra o presidente brasileiro Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva”. O editorial afirma que Martins “deveria estar em liberdade enquanto prepara sua defesa”.
Martins é acusado de integrar o “núcleo 2” da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) na suposta trama golpista, por supostamente ajudar a redigir minutas que previam a decretação de Estado de Sítio e aplicação da GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Ele nega participação em qualquer tentativa de ruptura institucional.
O ex-assessor foi preso em fevereiro de 2024, na operação Tempus Veritatis, sob a acusação de ter deixado o país com a comitiva de Bolsonaro. A defesa nega a viagem e afirma que os registros da entrada dele nos EUA são falsos. Testemunhas, como o ex-chefe do Cerimonial da Presidência, embaixador André Chermont, afirmaram ao STF que Filipe não embarcou no voo presidencial para os Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022.
O editorial também faz menção às tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump às importações brasileiras, classificando-as como politizadas. Para o jornal, o governo dos EUA deveria investigar como os registros do CBP sobre Martins foram alterados. “Isso teria o benefício adicional de inocentar Martins da acusação de fugir ilegalmente de seu país”, diz o texto.
