Presidenciáveis, senadores e economistas adotam negacionismo em debate sobre tarifaço de Donald Trump
Senadores desembarcam nos EUA para negociar tarifas, mesmo sem agenda com integrantes do governo. Governadores presidenciáveis alertam para o impacto do tarifação de Donald Trump, criticam o governo e anunciam medidas para redução de danos. Economistas e articulistas alegam que o americano rompe com a tradição de aliança bilateral e pune o Brasil sem razão. Por fim, Lula delega a Geraldo Alckmin o contato com empresários e reclama que Trump não quer negociar. “Se quisesse, já tinha me ligado.”
Ninguém, porém, ousa lidar com a verdade. E a única condição concreta estabelecida pelo presidente americano para evitar a aplicação do tarifaço é o fim da perseguição política capitaneada por Alexandre de Moraes.
“Devido em parte aos ataques insidiosos do Brasil às Eleições Livres e ao direito fundamental à Liberdade de Expressão dos americanos (como recentemente ilustrado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que emitiu centenas de ordens SECRETAS e ILEGAIS de censura contra plataformas de Mídias Sociais dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de Mídias Sociais brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos, separadamente das Tarifas Setoriais.”
Segundo o americano, “a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro — um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos — é uma vergonha internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!”.
Fingir que o problema não existe não ajudará a resolvê-lo. Por isso, não faz sentido 8 senadores sem interlocução com a Casa Branca irem a Washington. Mesmo que consigam alguma reunião com parlamentares republicanos, a única coisa que têm a oferecer é um argumento simplório de que as sanções vão empurrar o Brasil ainda mais para o colo da China.

Da mesma forma, qual o sentido de Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e nome reconhecido na Faria Lima, escrever sobre o dilema de Triffin — quando o emissor da moeda de reserva mundial mantém déficit contínuo em conta corrente — para dizer que o problema dos EUA é com China e Japão, e não com o Brasil.
Cairão no vazio também as declarações de Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr e Ronaldo Caiado no fórum da XP.
O governador do Paraná disse que “temos um governo que demonstra que não sabe onde quer chegar. Sobre uma questão tão importante, que é o tarifaço do Trump, muitas vezes o Brasil se vitimiza demais”.
“O Trump fez isso com a China, o Japão, as Filipinas, o México, o Canadá… Os outros países mandaram o chanceler, mandaram os seus representantes, para discutir. Aqui nós fazemos vídeo na internet para brincar sobre esse assunto, como o presidente fez há alguns dias.”
O governador de Goiás afirmou que Lula segue à risca o que Hugo Chávez fez na Venezuela ao afrontar gratuitamente o governo americano.
“Declara uma guerra contra o Congresso Nacional, tenta deflagrar uma luta de classes entre ricos e pobres (depois de ter assaltado os aposentados) e sai em ataque ao presidente dos Estados Unidos, país que sempre foi nosso aliado.”
Já o governador de São Paulo declarou que “a gente vive um momento hoje em que se busca tirar proveito político de tudo, se busca dividir o país. Nada pode estar acima do interesse nacional”.
“A pior questão da soberania é a divisão interna, que enfraquece o país. Se não botarmos a bola no chão e agirmos como adultos, será pior.”
Todos usaram muito bem a retórica, mas evitaram a questão central, reforçando a perceção equivocada de que o tarifaço é uma questão comercial.
Como são presidenciáveis, aproveitam para atacar Lula — tarefa fácil –, mas não dão uma só palavra em relação ao Supremo Tribunal Federal. Repito, fingir que um problema não existe não vai ajudar a resolvê-lo; muito menos conseguirão convencer o eleitor de que 2026 será uma eleição justa; quando vemos Moraes usando sua caneta para retirar da disputa qualquer deputado ou senador crítico.
O dilema, apesar de espinhoso, é de simples solução. Ou senadores, governadores e articulistas se aliam a Lula em defesa de uma suposta soberania brasileira, admitindo que Trump pressiona para interferir no Judiciário; ou reconhecem que vivemos uma ditadura judicial – e que não há a quem recorrer – e compreendem o embargo tarifário como medida extraordinária de pressão para uma anistia e pelo encerramento de inquéritos políticos.
Travar esse debate, independentemente de posições pessoais, é sinal de maturidade política e institucional. Negá-lo, é justamente o oposto, além de demonstração clara de que Moraes conseguiu incutir o medo de forma ampla, geral e irrestrita.
