General ouviu falar de decreto "com considerandos", mas não por Bolsonaro - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

General ouviu falar de decreto “com considerandos”, mas não por Bolsonaro

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Mario Fernandes que o texto estaria “dentro da Constituição”

O general da reserva Mario Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro, afirmou em interrogatório no STF, que circulava no Planalto em 2022 um “decreto com considerandos jurídicos” referente a ações do Executivo, e que soube da existência do texto por meio de conversas no Palácio, e não por contato direto com Bolsonaro.

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O documento ficou conhecido como “minuta do golpe”. Questionado pelo juiz auxiliar Rafael Henrique Tamai sobre mensagem enviada ao general Luiz Eduardo Ramos, na qual afirmou que “o decreto é real”, o ex-assessor respondeu que “se existia um movimento dentro da Constituição, por que não reforçar isso?”.

Ele afirmou ainda que o conteúdo do decreto “não estava acima da Constituição, mas sim dentro”. Segundo o general, o texto tratava de “equalizar e dar estabilidade com os demais poderes”.

Fernandes é acusado de monitorar autoridades e de elaborar um suposto plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa a execução do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. A data marcada no planejamento era 15 de dezembro de 2022. A Polícia Federal (PF) afirma que o general foi um dos autores do documento, que incluía tópicos sobre o tipo de munição a ser usada.

Para a PF, Fernandes é um dos militares mais radicais do grupo, conforme descrito na delação premiada de Mauro Cid. Preso em 2024 por ordem do STF, o general também teria pressionado o então comandante do Exército, general Freire Gomes, a aderir ao plano de ruptura institucional.

Fernandes foi chefe substituto da Secretaria-Geral da Presidência de 2020 a 2023 e assessor de Eduardo Pazuello na Câmara até março de 2024.

Além dele, são réus no núcleo 2 da ação penal Silvinei Vasques (ex-diretor da PRF), Marcelo Câmara (ex-ajudante de ordens), Marília Ferreira de Alencar (delegada da PF), Fernando de Sousa Oliveira (delegado da PF) e Filipe Martins (ex-assessor especial de Bolsonaro). Eles são acusados de tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e organização criminosa armada.

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