No Chile, Lula volta a defender taxação de 'super-ricos' - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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No Chile, Lula volta a defender taxação de ‘super-ricos’

Lula faz discurso no Chile

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Por Isac Mascarenhas

O presidente Lula voltou a defender, nesta segunda-feira (21), a justiça tributária como mecanismo para que os “super-ricos” façam sua parte no esforço de colocar a economia “a serviço do povo”. A declaração foi feita durante sua participação na reunião intitulada “Democracia Sempre”, em Santiago, no Chile, que reuniu nomes de esquerda para discutir a defesa de supostos regimes democráticos e a soberania nacional.

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Em seu discurso, Lula ressaltou a urgência de combater todas as formas de desigualdade. “Não há justiça em um sistema que amplia benefícios para o grande capital e corta direitos sociais. O salário médio global de um presidente de multinacional é 56 vezes maior que o de um trabalhador. Políticas de austeridade obrigam o mundo em desenvolvimento a conviver com o intolerável: 733 milhões de pessoas passam fome todos os dias”, afirmou.

A pauta de justiça tributária tem sido defendida pela equipe econômica do petista em organismos internacionais e ganhou força no Brasil após a tentativa do Congresso de derrubar o decreto que aumentava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“A justiça tributária é outro passo para recolocar a economia a serviço do povo. Os super-ricos precisam arcar com a sua parte nesse esforço. Só o combate às desigualdades sociais, de raça e de gênero pode resgatar a coesão e a legitimidade das democracias”, disse Lula.

A reunião, organizada pelo presidente do Chile, Gabriel Boric, contou também com a presença dos líderes da Colômbia, Gustavo Petro, da Espanha, Pedro Sánchez, e do Uruguai, Yamandú Orsi.

Este é o segundo encontro desse grupo de presidentes com viés de esquerda, que buscam se unir contra o avanço da direita no mundo. A próxima reunião será em setembro, em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU.

No mesmo discurso, Lula atrelou a crise da democracia à necessidade de um novo modelo de desenvolvimento. “A crise ambiental introduz novas formas de exclusão, com impactos desproporcionais para os setores mais vulneráveis. Sem um novo modelo de desenvolvimento, a democracia seguirá ameaçada por aqueles que colocam seus interesses econômicos acima dos da sociedade e da pátria”, disse.

O petista aproveitou a ocasião para lembrar o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, no Chile, que derrubou o governo de Salvador Allende. Para Lula, o mundo vive uma nova “ofensiva antidemocrática”.

“Aqui a democracia chilena sofreu um dos atentados mais sangrentos da história da América Latina. Nossos países conhecem de perto os horrores de ditaduras que mataram, perseguiram e torturaram. O caminho para a reconquista da democracia e da liberdade foi longo. Democracias não se constroem da noite para o dia. Zelar pelos interesses coletivos é uma tarefa permanente. Vivenciamos uma nova ofensiva antidemocrática”, concluiu.

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