Deputado Gilson Marques apresentou voto em separado e criticou o aumento de tributos como forma de compensação
Durante a votação do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o deputado Gilson Marques (NOVO-SC) protagonizou um dos discursos mais incisivos contra a proposta apresentada pelo governo e referendada em parecer do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Embora tenha deixado claro ser favorável à isenção, Marques criticou duramente a forma como o benefício será compensado: com aumento de tributos sobre lucros, dividendos e investimentos.
“Sim, eu sou a favor da isenção para quem ganha até R$ 5 mil. Aliás, deveria ser R$ 7.500, deveria ser R$ 10 mil. Mas a forma importa”, afirmou.
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“Se é difícil explicar, desenha”
Para ilustrar seu ponto, o deputado apresentou um quadrinho feito por ele mesmo, como forma de demonstrar a diferença entre ser a favor da isenção e ser contra o mecanismo adotado para viabilizá-la. “Meu colega falou: se é difícil explicar, desenha. E aí eu resolvi desenvolver meus dotes artísticos. Porque ao contrário do que dizem, pessoas de direita também podem desenhar”, brincou.
O quadrinho mostrava duas figuras semelhantes, ambas defendendo a isenção para quem ganha até R$ 5 mil. A divergência, segundo Marques, está no “como”.
“O governo quer fazer isso cobrando mais de quem investe, de quem produz. Isso vai tornar tudo mais caro, afastar capital e, no fim, é o trabalhador que paga”, disse.

Citando o economista francês Frédéric Bastiat e o Nobel Milton Friedman, Marques abordou o que chamou de “impacto invisível do tributo”: as consequências econômicas não percebidas diretamente, como o desestímulo ao investimento, a fuga de capitais e a inviabilização de negócios.
“O trabalhador que não será contratado, a empresa que não será criada, o produto que não será vendido. Isso ninguém vê, mas é a consequência direta do aumento de impostos. É o custo que não entra na conta do governo, mas recai sobre a população”, afirmou.
Ao rebater o argumento de que a taxação dos mais ricos é uma medida justa, Marques foi direto: “Vocês acham mesmo que banqueiro vai tirar 10% do próprio lucro para pagar imposto? Isso vai para a taxa de juros. Isso encarece o crédito, penaliza o aposentado, o pequeno empresário e a classe média.”
Para o parlamentar, a proposta de Lira e do governo é uma solução “preguiçosa” e “viciada” de aumentar a arrecadação. “A resposta do governo à crise fiscal é sempre a mesma: mais imposto. Nunca cortar gastos. Nunca diminuir a máquina. Nunca reduzir privilégios.”
Marques lembrou que 60% dos recursos da bolsa brasileira vêm do exterior, e que a proposta de taxar remessas de dividendos para fora do país afasta investidores: “Teve fuga de R$ 32 bilhões em 2024. A expectativa é que 1.200 milionários deixem o país neste ano. E querem continuar subindo imposto? Estão empurrando o Brasil para o buraco.”
Proposta alternativa: corte de despesas e ajuste fiscal real
No voto em separado que apresentou, Gilson Marques propõe uma alternativa: compensar o custo da isenção com corte de gastos e desinvestimento estatal, sem aumentar impostos. Ele lista:
- Fim dos supersalários: R$ 21 bilhões/ano
- Teto para diárias e passagens: R$ 2,47 bilhões/ano
- Limite para publicidade oficial: R$ 6,46 bilhões/ano
- Redução de emendas parlamentares não impositivas: R$ 26 bilhões/ano
- Teto para fundo eleitoral e partidário: R$ 5,8 bilhões/ano
- Venda de ações do BNDES: R$ 43 bilhões ao longo de 3 anos
- Privatização de estatais deficitárias: R$ 24 bilhões
Com isso, o deputado projeta um superávit de R$ 29 bilhões, superior aos R$ 12 bilhões que o governo planeja arrecadar com aumento de carga tributária.
Na parte final de seu discurso, Marques apontou que o verdadeiro conflito não é entre ricos e pobres, mas entre Estado e sociedade. “O recebedor do tributo é o governo. O pagador é a sociedade. E não importa de quem você cobra: todo imposto encarece tudo. O custo vai para o trabalhador, para o consumidor, para o empreendedor.”
