Governo Lula articula reação à tarifa de Trump; veja o que está em estudo - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governo Lula articula reação à tarifa de Trump; veja o que está em estudo

Lula sanciona Lei de Reciprocidade Econômica

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Por Redação

Comitê interministerial, retaliação prevista na Lei de Reciprocidade e abertura de novos mercados

O governo Lula articula uma série de medidas para responder à tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, atinge setores como carne, café, suco de laranja, celulose, tecnologia e indústria aeroespacial.

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Em cerimônia realizada em Salvador neste domingo (13), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a resposta brasileira vai além da aplicação de taxas. Segundo ele, o governo prepara várias medidas para proteger a economia nacional, o emprego e a atividade produtiva. “Não serão apenas taxas, outras medidas serão adotadas. Nós já começamos a discutir e até o final do mês vamos deixar tudo pronto”, disse.

Um comitê interministerial será criado nesta semana para coordenar as ações. A estrutura será liderada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com participação da Casa Civil, Fazenda, Itamaraty e Relações Institucionais. O vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável pela articulação com o setor empresarial, conduzirá reuniões com representantes dos segmentos mais impactados.

O decreto que regulamenta a chamada Lei de Reciprocidade está em fase final de elaboração na Casa Civil e deve ser publicado nos próximos dias. A norma prevê medidas simétricas contra países que impuserem barreiras comerciais ao Brasil.

Além da retaliação tarifária, o governo também estuda a diversificação de mercados. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, determinou que sua equipe amplie a presença brasileira em novos destinos comerciais para os produtos afetados. “Principalmente café, laranja, suco de laranja e carne”, afirmou Fávaro em evento realizado em Cuiabá (MT).

Em paralelo, a estratégia definida por Lula inclui a mobilização do setor privado nas tratativas com os EUA. O presidente tem reforçado que não há margem para concessões políticas, como eventual anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A posição foi reiterada em reunião com ministros no Palácio da Alvorada, no último domingo.

O governo avalia que, mesmo diante do histórico imprevisível de Trump, há possibilidade de a tarifa ser reduzida de 50% para 30%, percentual já anunciado para a União Europeia e o México. Ministros também discutem a criação de cotas para produtos como café e laranja, em caso de impasse nas negociações.

A ofensiva brasileira ainda inclui articulações no exterior, com possível acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto isso, a equipe econômica reforça que o impacto imediato será limitado, já que os EUA representam cerca de 12% das exportações brasileiras — contra 28% destinadas à China.

O governo segue monitorando a situação e prepara ações para o caso de não haver avanço nas conversas diplomáticas até o início de agosto.

As tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos podem gerar redução de até 0,41% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. A estimativa é do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro).

Segundo nota, o impacto seria de aproximadamente US$ 9 bilhões — o equivalente a R$ 50,1 bilhões.

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