Sabemos o que esperar do governo Lula 3: mais cotas, mais impostos, mais censura. Contra tudo isso, precisamos de uma oposição forte, pró-meritocracia, pró-liberdade. Temos?
Não, se depender da deputada Soraya Santos (PL-RJ). Apesar de ser do partido e do estado do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma parte importante do comportamento da parlamentar parece mais apropriada para uma deputada do PT ou do PSOL.
No último dia 16, Santos, como relatora na Comissão de Educação da Câmara, deu parecer favorável ao PL 3.118/2024, proposto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O projeto destina dinheiro do petróleo a estudantes cotistas, tornando ainda mais difícil um futuro em que as instituições de ensino voltem para a competição meritocrática.
A deputada também é autora de projetos que, se não resultam de valores de esquerda, se confundem com eles e não vão atrair nenhuma crítica desse lado do espectro político. O pior é o Novo Código Eleitoral (PLP 112/2021), que também reforça cotas identitárias e é o projeto dos sonhos do ministro Alexandre de Moraes, em termos de expandir os poderes da Justiça Eleitoral, criminalizar “desinformação” e exigir que promotores, juízes, policiais e militares aguardem quatro anos após deixarem seus cargos para poderem concorrer a cargos eletivos.
Este último ponto, da quarentena de quatro anos, não é culpa da deputada, pois não constava no texto original. Mas constavam instrumentos para remoção de conteúdo das plataformas de rede social (um “mini-PL das Fake News”) e um reforçamento de regras já existentes que obrigam partidos a implantar cotas mínimas de 30% para mulheres nas candidaturas, junto com obrigações de financiamento, e indeferem chapas que descumpram a medida.
Soraya Santos tem como um de seus temas favoritos o identitarismo de gênero. Ela foi uma forte apoiadora da lei de “violência política de gênero” (Lei 14.192/2021), que expandiu o conceito de crime eleitoral para “conteúdo inverídico” que “humilhe” candidatas mulheres. Em maio, a deputada propôs um projeto para instituir o “Dia Internacional das Meninas” (porque o 8 de março não é suficiente).
Quando foi votada a Lei Antipiadas (14.532/2023), que agora prejudica o humorista Léo Lins, a bancada do PL orientou seus membros a votar a favor. Ao explicar na sessão a orientação do partido, Soraya parabenizou o relatório favorável a “mais uma ferramenta no combate à injúria racial”.
Em seu voto no julgamento que está derrubando o Artigo 19 do Marco Civil da Internet, o ministro do STF Luís Roberto Barroso mencionou um “dever de cuidado” das redes sociais. A deputada do PL também promove essa ideia como Procuradora da Mulher na Câmara. Ela organiza cursos, notas de repúdio e seminários que pedem a remoção rápida de conteúdo “misógino ou racista” da internet e pressionam as plataformas pela censura em nome do suposto dever.
Em 2023, ela se uniu a um grupo de parlamentares do G-20 (P-20) para pedir mais cotas de gênero na política e a remoção de suposta “desinformação machista” das redes sociais.
Como é possível uma parlamentar de um partido que foi muito prejudicado pela agenda de suposto combate às “fake news” e a agenda woke, especialmente nas eleições de 2022, gastar tanto de seu tempo após essas eleições promovendo estas exatas agendas? Soraya Santos e o PL precisam se explicar para seus eleitores, muitos dos quais acham que a obsessão com identitarismo e censura está só na esquerda.
A direita brasileira precisa decidir o que quer. Ter líderes carismáticos não é suficiente. O número de parlamentares que votam com a esquerda nos temas em que a esquerda mais prejudica a visão de mundo conservadora e a liberal é alarmante. Soraya é só um sintoma disso.
