O governo Lula planeja lançar o Drex, sua moeda digital, em 2025. O Banco Central atribuiu o adiamento anterior a dificuldades na proteção de dados e privacidade dos usuários.
A iniciativa enfrenta críticas de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP). A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), principal voz de oposição ao projeto, propôs uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que exige aprovação por dois terços do Congresso para implementar moedas digitais e proíbe a extinção do papel-moeda.
Para Zanatta, o Drex pode facilitar o controle estatal e limitar a liberdade financeira.
Fontes deste site revelam que o Partido Liberal evita manifestações públicas sobre o tema, deixando a deputada sem apoio formal de colegas. “Quem controla o dinheiro controla tudo”, alerta Zanatta, destacando a falta de debate político sobre o Drex.
Em entrevista ao Portal Claudio Dantas, a parlamentar criticou a ausência de diálogo no Congresso. “O tema exige atenção maior. Parlamentares defendem o fim do dinheiro físico, enquanto outros apoiam a digitalização total. Isso pode ameaçar a liberdade”, afirmou.
Zanatta aponta contradições no discurso oficial. Em fevereiro de 2025, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, negou que o Drex seja uma moeda digital estatal (CBDC), descrevendo-o como uma infraestrutura de tokenização baseada em tecnologia de registro distribuído (DLT). No entanto, o site do Banco Central classifica o Drex como moeda digital emitida pelo Estado, voltada à digitalização da economia.
A deputada alerta para riscos técnicos e políticos. Plataformas DLT, segundo ela, comprometem a privacidade devido à sua transparência. Além disso, a funcionalidade de “liquidação atômica” do Drex, que condiciona transações a contratos digitais, pode permitir monitoramento estatal em tempo real. Um executivo do Itaú, envolvido nos testes, destacou que o sistema poderia restringir gastos em programas sociais como o Bolsa Família a compras específicas.
Para proteger o papel-moeda, Zanatta apresentou o PL 3341/2024, que veta sua extinção, e articula a PEC que altera o artigo 164 da Constituição, exigindo maioria qualificada para moedas digitais. “É uma defesa da liberdade financeira”, afirmou. O PL aguarda parecer na Comissão de Desenvolvimento Econômico.
Apesar do avanço do Drex, Zanatta nota crescente engajamento da sociedade civil, especialmente na comunidade cripto. Ela lançou uma plataforma para informar e mobilizar cidadãos sobre os riscos da moeda digital. “A conscientização é essencial para que a sociedade e o Congresso fiscalizem essa tecnologia”, concluiu.
